quarta-feira, 23 de abril de 2014
Amsterdam C. Hilversum
Desperdicio de tempo
trampo;
desperdicei um dia inteiro me locomovendo.
Ponteiro do relógio.
A graça é o ritmo,
e a falsa sensação de dominio,
Não de parar o tempo,
mas de brincar com ele
compensar
Ora correr,
ora esperar.
-Anouk
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
Coloquial
- Oi, tudo bem?
- Tudo, vai tudo bem.
você, bem?
-Você tá bem, eu to bem.
- Estamos bem.
- Ainda bem.
- Você me espera?
-Só não demora o caralho.
- Desde quando caralho demora?
Anouk
- Tudo, vai tudo bem.
você, bem?
-Você tá bem, eu to bem.
- Estamos bem.
- Ainda bem.
- Você me espera?
-Só não demora o caralho.
- Desde quando caralho demora?
Anouk
sábado, 15 de setembro de 2012
Desculpe, mas escolhemos alguém com mais experiência
um urso polar faz careta
enquanto puxa um pedaço de
tripa
a carniça brilha crua na neve branca.
um dia,
o vermelho e o branco disseram
"que beleza!", e chorei
hoje, carcaça que
nada mais sente.
aquele coração suspenso na
corda de carne presa no
dente do urso não
bate mais.
[vida não bate mais
vida, não bate mais]
-lili
enquanto puxa um pedaço de
tripa
a carniça brilha crua na neve branca.
um dia,
o vermelho e o branco disseram
"que beleza!", e chorei
hoje, carcaça que
nada mais sente.
aquele coração suspenso na
corda de carne presa no
dente do urso não
bate mais.
[vida não bate mais
vida, não bate mais]
-lili
segunda-feira, 5 de março de 2012
moinhos de água
pam pam pam pam
pampararam
o canto da
Iara se aproximava,
encantava pelo corredor, chamando,
pela fresta dava pra vê-la
em toda a sua delicadeza
e lindas cores
uma marcha fúnebre da alegria.
alguém apareceu e foi ao seu encontro
com naturalidade.
certamente ela tinha uma plateia cheia.
engoli o choro, dei dois passos pro lado
e abri minha porta certa.
pam pam pam pam
pampararam
lili
pampararam
o canto da
Iara se aproximava,
encantava pelo corredor, chamando,
pela fresta dava pra vê-la
em toda a sua delicadeza
e lindas cores
uma marcha fúnebre da alegria.
alguém apareceu e foi ao seu encontro
com naturalidade.
certamente ela tinha uma plateia cheia.
engoli o choro, dei dois passos pro lado
e abri minha porta certa.
pam pam pam pam
pampararam
lili
quarta-feira, 6 de abril de 2011
"(...) metade do caminho entre Marselha e a fronteira Italiana"
Essa sombra de verão
gostoso, que tem as
folhas dançando
que nem cabelo
e uns trançados
de rede de palha,
caindo assim em cima
do livro me traz tanta delícia
que a leitura já foi embora
preu poder aproveitar....
-lili
gostoso, que tem as
folhas dançando
que nem cabelo
e uns trançados
de rede de palha,
caindo assim em cima
do livro me traz tanta delícia
que a leitura já foi embora
preu poder aproveitar....
-lili
freddie
As conversas se atravessavam.Daí ha mais um pouco juntaram-se naquela mesa, ocupada por quatro, mais uns três, não lembro ao certo. Quiosque de ipanema a noite essas coisas acontecem. Os novos, a principio desconhecidos (pra mim continuam sendo) tornaram das conversas barulhentas, agora já um tumulto. Entao o olhei, ali na minha frente. Nao com olhos de 'devora-me' mas como quem diz que gostaria muito de continuar a conversa que antes mal se firmou. Ele percebeu e me chamou para caminhar na areia.
Falamos sobre sua namorada e as pegadas que ficavam para trás. Simulamos uma dança a partir delas. Voltamos. Agora sentados lado a lado, eu estava na quina da mesa. Do meu outro lado Pedro. Nao conseguia olhar pra ele muito bem. Me vinha a memoria do gozo na minha boca. Senti nojo. Só de escrever isso aqui ja me volta uma certa nausea. Aquela falta de carinho! Olhei para Freddie mais uma vez. Ele me deu a mão. Pensei na falta de gozo e no excesso de carinho.
-Posso te perguntar uma coisa?
-Claro.
-Não, não devo.
-Pergunta!
-Promete que continua sendo meu amigo?
-Prometo.
-Se...- disse na orelha dele- Em um mundo bizarro... Em que voce nao tivesse uma namorada...-Pausei por um tempo interno maior que o real- Eu poderia ser a sua?
-Não gosto da ideia de ficar trocando assim...
-Nao quero que troque! eu disse 'se' e 'em um mundo bizarro'
-Ah sim! Em um mundo bizarro... É claro né, que pergunta!
Falamos sobre sua namorada e as pegadas que ficavam para trás. Simulamos uma dança a partir delas. Voltamos. Agora sentados lado a lado, eu estava na quina da mesa. Do meu outro lado Pedro. Nao conseguia olhar pra ele muito bem. Me vinha a memoria do gozo na minha boca. Senti nojo. Só de escrever isso aqui ja me volta uma certa nausea. Aquela falta de carinho! Olhei para Freddie mais uma vez. Ele me deu a mão. Pensei na falta de gozo e no excesso de carinho.
-Posso te perguntar uma coisa?
-Claro.
-Não, não devo.
-Pergunta!
-Promete que continua sendo meu amigo?
-Prometo.
-Se...- disse na orelha dele- Em um mundo bizarro... Em que voce nao tivesse uma namorada...-Pausei por um tempo interno maior que o real- Eu poderia ser a sua?
-Não gosto da ideia de ficar trocando assim...
-Nao quero que troque! eu disse 'se' e 'em um mundo bizarro'
-Ah sim! Em um mundo bizarro... É claro né, que pergunta!
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
"(...) ficou horrorizado ao descobrir que o choque havia destruído completamente o cérebro de sua mulher"
com muita força puxa meu braço
fecha minha mão em volta do telefone
e joga pra longe
arranca lágrimas à força,
fica dentro da garganta
esperando pra sair
uma bola de ódio
que mira e cai em todas as pessoas erradas:
devia apontar só pra cá.
-lili
fecha minha mão em volta do telefone
e joga pra longe
arranca lágrimas à força,
fica dentro da garganta
esperando pra sair
uma bola de ódio
que mira e cai em todas as pessoas erradas:
devia apontar só pra cá.
-lili
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
"Talvez eles estejam cantando cantigas para você e eu só pense que eles estejam me fazendo perguntas"
de nós dois, sempre
pensei ser mais forte-
no entanto é você quem
me larga
aproveito a brecha, que
muito esperei;
no fim, eu precisava
que fosse você a encerrar
as coisas
mas às vezes me dói,
quando em saudade
de você dentro de mim
e os dedos se entrelaçando
à sua volta, eu lhe dou
beijos já não tão intensos
e você me envenena
sem dó, como antes
não fazia.
talvez, de algum modo,
você esteja agindo com
consciência, fazendo o
melhor pra mim.
o seu gosto não
é mais doce -
e mil obrigados por tudo.
-lili
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
"mas você foi algo mais que jovem e doce e alvo -- e o longo ano lembra de você"
uma carruagem
carregada de panelas
passou por trilhos
sobre minha cabeça
o objeto em minhas mãos,
segurado entre dedos,
estava mais fino e longo,
em forma nova, que percebi
mudar apenas ontem
foi apreciado,
sem a ansiedade que
sempre acompanhou
a nós dois
e a fumaça ainda dança,
como as deusas dos
antigos templos macedônios.
-lili
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
voltamos semana que vem com mais uma entrevista
azul como a parede,
eu entro.
saio só mãos
e pernas, estas
pretas, que em degradê
desaparecem junto
ao resto;
meu nome escorre
do alto falante,
clamado para
a tarefa errada.
continuo turquesa,
por trás das
câmeras, fora do
bastidor apertado:
nada aprendo.
-lili
a injeção eletrônica substituiu o carburador
braços tensos
e as ruas deslizam
à minha frente
"não escorregue com
a mão esquerda!"
pesada, com a direita
fazendo mais leve
e rápido,
eu suo
um pé fundo
e o outro
com carinho
descendo, esmagando
os pedregulhos opressores
de cada dia.
-lili
Madrinha
De branco
ou magenta
minha garganta
congestiona
qualquer possibilidade
de nao comemorar
em agosto
do ano que vem
as coisas vao mudar.
por anouk
ou magenta
minha garganta
congestiona
qualquer possibilidade
de nao comemorar
em agosto
do ano que vem
as coisas vao mudar.
por anouk
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
hipérbole
arredondar o tempo
pra cima é uma boa maneira de tornar a história mais dramatica.
dramaurgia retardataria,
nao porque nao fica para trás,
mas vai além
dando uma impressao maior
do tombo
me fazendo uma
retardada que precisa de desculpa pra sofrer.
por anouk
pra cima é uma boa maneira de tornar a história mais dramatica.
dramaurgia retardataria,
nao porque nao fica para trás,
mas vai além
dando uma impressao maior
do tombo
me fazendo uma
retardada que precisa de desculpa pra sofrer.
por anouk
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
a última vez em que o vi,
se limitava a cantadas baratas.
se revoltou contra a mesa de bar.
se apegou a afagos vazios
(sei os meus sempre foram sinceros)
foi embora já não de repente
e agora já é diferente
o contato entre nós que restamos
a vagar preocupados contigo.
-lili (de dois anos atrás)
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
oh gads, jiminy!
(...)
é que toda vez
que ele
passava a mão
em volta do
meu ombro,
os braços se
tornavam carne
e aí eu me
derreti toda
e não pude
evitar
virar fumaça
espectral, cheirando
a nicotina e
desilusão.
-lili
quinta-feira, 22 de julho de 2010
espera no aeroparque ou chimarrão
folhas banhadas recebem
pancadinhas dum cajado
metálico que libera
seu odor pútrido
leva-me lágrimas
aos olhos mal-
dormidos, leva-
me à ideia de castigo
divino, leva-me ao lado
de fora, tão frio,
para um trago amigo.
(quando saí o sol
batia no lago, rasgava
meus óculos e secou o
choro antes dele cair)
um corpo requer
outro para um abraço,
que só recebo do vento
e de tantos casacos que
se aquecem comigo.
(ainda não durmo e
conto os minutos
para que os outros
acordem, mais vivos
que eu)
não era tão difícil
quando foi o dobro dos dias,
quando tudo era novo e voltar era
vazio como a sala de espera
para o último paciente.
em duas horas de sono
conturbado não se sonha,
em duas semanas de corpo
perturbado não se acalma e
se agravam as calamidades
(as mãos dançam um 'olá')
até os vícios se controlam
sozinhos, nem eles aprovam
o excesso. também sentem o
peso de acordar com os
fantasmas, sentados em
cima do peito, saindo de
um ouvido ao outro pinicando
o que está no meio,apertando
os pés até sangrarem calor.
escutam-se estalos dos
carrinhos rondando o chão,
das unhas sendo roídas, do
canudo prateado batendo na
madeira, das costas estalando,
dos vôos atrasando duas horas,
as xícaras na mão da garçonete,
sinapses estourando sem oxigênio
e o trânsito seguindo guiado
pelos que moram aqui e não
sentem saudades
-lili
sábado, 10 de julho de 2010
belle de jour
Você saiu como
um grito que eu
não pude entender
(some! some!)
Arranhou a garganta
com força de
morte e o efeito foi o
de um tiro disparado
Correu adquirindo
som e me deixou
apavorada, sai! sai!
não é a sua hora!
Vem como um
demônio, como fumaça
negra, com tão pouco
aviso e nenhuma resposta...
por favor!, não é
a sua hora.
-lili
quinta-feira, 8 de julho de 2010
"o olho claro é a coisa mais bonita em você. quem dera enchê-lo de patos e cores,"
roubo água salgada
dos olhos pra pingar
no colchão e tentar
fazer mar
com ondas que
envolvem mas
não engolem, e se
rolo de volta à
areia nada sou
mas carne ao sol
e a pele pinica, como
a luz que cintila
na água corrente.
-lili
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