Será possível coreografar um passo dissolvido?
se para frente ja foi difícil entender,
imagina para trás, onde não enxergo!
por anouk
domingo, 17 de maio de 2009
eu odeio damien rice
O gato da Alice mais uma vez
me sorri
Sorri-me
E aparece em uma árvore
ainda mais baixa
Baixa como o golpe
que sem perceber você
me aplica.
Me deixa outra vez
a perguntar-me:
Onde quero chegar?
Afinal, encontrar não é NADA
e a gente ainda se esbarra por ai.
por anouk
me sorri
Sorri-me
E aparece em uma árvore
ainda mais baixa
Baixa como o golpe
que sem perceber você
me aplica.
Me deixa outra vez
a perguntar-me:
Onde quero chegar?
Afinal, encontrar não é NADA
e a gente ainda se esbarra por ai.
por anouk
sexta-feira, 15 de maio de 2009
sauerputzen
você me faca
não me faça
facar você com
essas facas todas;
eu faco pois voce
me usa, ei, não
faça uso dessa faca!
-lili
não me faça
facar você com
essas facas todas;
eu faco pois voce
me usa, ei, não
faça uso dessa faca!
-lili
terça-feira, 12 de maio de 2009
"Anthony viu-se associando a própria vida com a vida do ascensorista noturno do prédio"
não me cega, maldita!
e tira esse sinistro do
meu olhar. eu sei
bem o que me irrita,
mas não quero palpitar
por instinto tão mesquinho
que borbulha na minha
veia, tampouco
dissolver meu ninho
em mil metros de areia.
pois foi árdua a construção
que ameaças sem pudor;
devo aceitar tal 'não'
e engolir esse furor,
afinal,
não é a falta de dialética
que esmagará minha ética.
lili
e tira esse sinistro do
meu olhar. eu sei
bem o que me irrita,
mas não quero palpitar
por instinto tão mesquinho
que borbulha na minha
veia, tampouco
dissolver meu ninho
em mil metros de areia.
pois foi árdua a construção
que ameaças sem pudor;
devo aceitar tal 'não'
e engolir esse furor,
afinal,
não é a falta de dialética
que esmagará minha ética.
lili
domingo, 10 de maio de 2009
"Nada viaja mais rápido do que a velocidade da luz, com exceção talvez das más notícias, que obedecem leis próprias e especiais."
me deliciando
com cada gota
desse sentimento
repugnante,
transbordando
pelas palavras.
ainda assim,
sinto sede.
enquanto a
música berra
nos ouvidos,
a fumaça
é aspirada
pelo peito,
sede.
quando menos
esperado,
você voltou
a estampar
na minha cara
esse sorriso
maligno.
doce,
eu quase senti
sua falta.
lili
com cada gota
desse sentimento
repugnante,
transbordando
pelas palavras.
ainda assim,
sinto sede.
enquanto a
música berra
nos ouvidos,
a fumaça
é aspirada
pelo peito,
sede.
quando menos
esperado,
você voltou
a estampar
na minha cara
esse sorriso
maligno.
doce,
eu quase senti
sua falta.
lili
sábado, 9 de maio de 2009
Thelma, my one and only
e no meio do todo,
em mim ainda vazio,
eu te vi.
ao abrir de uma
porta, o acender
dumas luzes,
estavas sozinha
no escuro.
há tempos não
te via, e pensava
que assim seria,
após o grande
carnaval;
mas fizeste
com que eu
transbordasse,
como o ar que
enche o teu corpo
cortavam-me
o fôlego incessante-
mente,
com o desdém
do falso fabuloso.
queria que todos
ali se
fodessem.
querida, mais uma vez,
(você é certamente um
sinal, eu penso)
me salvou da solidão
de uma rua cheia
demais.
lili
em mim ainda vazio,
eu te vi.
ao abrir de uma
porta, o acender
dumas luzes,
estavas sozinha
no escuro.
há tempos não
te via, e pensava
que assim seria,
após o grande

carnaval;
mas fizeste
com que eu
transbordasse,
como o ar que
enche o teu corpo
cortavam-me
o fôlego incessante-
mente,
com o desdém
do falso fabuloso.
queria que todos
ali se
fodessem.
querida, mais uma vez,
(você é certamente um
sinal, eu penso)
me salvou da solidão
de uma rua cheia
demais.
lili
quarta-feira, 6 de maio de 2009
kino
volto a cair na sua cama:
ah, o cheiro desses lençóis
que há tanto não me envolviam,
a dureza dos travesseiros,
(um lembrete do perigo
constante)
e a eterna dúvida do que
acontecerá a seguir.
enquanto o tempo passa
eu caminho lentamente
te observando, ousando
experimentar-te, a passear
por uns fios de cabelo, ah,
sim, me preparando do
jeito que posso pra que
você seja um comigo.
eu ouço falarem de ti,
começo a ruborizar,
as íris brilham, eu,
ah,
mal posso esperar.
lili
ah, o cheiro desses lençóis
que há tanto não me envolviam,
a dureza dos travesseiros,
(um lembrete do perigo
constante)
e a eterna dúvida do que
acontecerá a seguir.
enquanto o tempo passa
eu caminho lentamente
te observando, ousando
experimentar-te, a passear
por uns fios de cabelo, ah,
sim, me preparando do
jeito que posso pra que
você seja um comigo.
eu ouço falarem de ti,
começo a ruborizar,
as íris brilham, eu,
ah,
mal posso esperar.
lili
terça-feira, 5 de maio de 2009
Ainda inconformada com o declínio dos anos 20 ou Apelo à Gloria G.
palavrinhas diminutas
acentuam a beleza
dos seus gestos fabulosos:
a cabeça reclinada pra
trás numa risada embriagada
(que impregnou o veludo
cinzento do seu vestido),
os cabelos ondulantes
no vento morno que
sibilava sobre o asfalto--
suas bochechas são
feitas de pele tão fina!
não, não feche a boca
novamente, sua idiotinha;
esses lábios voltam a se
curvar pros cantos demasiado
rápido, apodrecendo os
convidados como o
carpete que fede a high balls.
você amou amargamente,
aceitou e sucumbiu à vida
ali te imposta de modos
antes inimagináveis,
ardeu de lágrimas e soube
que as manhãs eram sempre
cálidas ao seu lado:
por que, então, o abandonaste?
lili
acentuam a beleza
dos seus gestos fabulosos:
a cabeça reclinada pra
trás numa risada embriagada
(que impregnou o veludo
cinzento do seu vestido),
os cabelos ondulantes
no vento morno que
sibilava sobre o asfalto--
suas bochechas são
feitas de pele tão fina!
não, não feche a boca
novamente, sua idiotinha;
esses lábios voltam a se
curvar pros cantos demasiado
rápido, apodrecendo os
convidados como o
carpete que fede a high balls.
você amou amargamente,
aceitou e sucumbiu à vida
ali te imposta de modos
antes inimagináveis,
ardeu de lágrimas e soube
que as manhãs eram sempre
cálidas ao seu lado:
por que, então, o abandonaste?
lili
domingo, 3 de maio de 2009
uma notinha:
ah!, que novo,
quanta graça
sob essa luz azul,
nessas alamedas
desconhecidas, os
postes acesos e as
caras frescas, muito
frescas, que nem
essa brisa incrível
que já tinha esquecido
como podia ser,
sair por aí, respirar
outro ar e ver
riso em todo canto
desse chão inédito!
lili
quanta graça
sob essa luz azul,
nessas alamedas
desconhecidas, os
postes acesos e as
caras frescas, muito
frescas, que nem
essa brisa incrível
que já tinha esquecido
como podia ser,
sair por aí, respirar
outro ar e ver
riso em todo canto
desse chão inédito!
lili
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Quando cheguei esqueci de avisar:
bonito é azul e vermelho
-que nem os gringos-
e nós somos meros
espectadores.
lili
-que nem os gringos-
e nós somos meros
espectadores.
lili
sábado, 25 de abril de 2009
'Se não quer ler, podemos apagar as luzes' III
e ainda assim,
eu penso em ti
como um ser
radiante.
...e ando fazendo
bobagens, digamos,
pra tentar me
aproximar
de você.
continuo a fingir
te entender,
mesmo sem
saber por
onde andas,
pintor.
o seu olhar,
o seu alô,
o seu balé:
como me fazem falta!
a ausência fez
de você inteiro
mais adorável que nunca,
meu caro.
lili
eu penso em ti
como um ser
radiante.
...e ando fazendo
bobagens, digamos,
pra tentar me
aproximar
de você.
continuo a fingir
te entender,
mesmo sem
saber por
onde andas,
pintor.
o seu olhar,
o seu alô,
o seu balé:
como me fazem falta!
a ausência fez
de você inteiro
mais adorável que nunca,
meu caro.
lili
'A necessidade de assimetria' I
as suas pintas estão sumindo,
e meus ossos vão ficando rígidos
sem teu olhar.
não sei se ainda ligo.
não sei se te ligo,
disco o número familiar
nunca decorado,
escuto sua voz e espero
alguma reação.
o seu olhar confuso, do
qual não me recordo
como antes, me deixa
cinzenta, você ousa
tirar-me as cores.
não ousa nada. não
pensa
em nada, eu já sabia,
ao menos achava que
sim, mas você é
simplesmente tão
Insólito,
não é mesmo?
lili
e meus ossos vão ficando rígidos
sem teu olhar.
não sei se ainda ligo.
não sei se te ligo,
disco o número familiar
nunca decorado,
escuto sua voz e espero
alguma reação.
o seu olhar confuso, do
qual não me recordo
como antes, me deixa
cinzenta, você ousa
tirar-me as cores.
não ousa nada. não
pensa
em nada, eu já sabia,
ao menos achava que
sim, mas você é
simplesmente tão
Insólito,
não é mesmo?
lili
"Dentro desse mundo congelado eu posso andar livremente e sem ser notado" II
enquanto você
contempla a outra
direção,
eu lamento
o vazio ao
meu lado.
sei que minha
dança é pobre
e desajeitada,
mas seu castigo
não demandava
tamanha severidade.
o que agora
me resta é transitar
pelas sombras.
o mesmo vale
do filme que ainda
não vi, das músicas
que andava evitando.
contempla a outra
direção,
eu lamento
o vazio ao
meu lado.
sei que minha
dança é pobre
e desajeitada,
mas seu castigo
não demandava
tamanha severidade.
o que agora
me resta é transitar
pelas sombras.
o mesmo vale
do filme que ainda
não vi, das músicas
que andava evitando.
há! enganei a
penumbra e pude,
afinal, saber:
penumbra e pude,
afinal, saber:
você é um
Pintor
que não pinta.
lili
lili
quinta-feira, 23 de abril de 2009
curtinho
a corda frouxa
permite que
a mão hesitante
tenha sua chance.
Minto: permite
que o ombro
ansioso aproveite
mais um toque.
lili
permite que
a mão hesitante
tenha sua chance.
Minto: permite
que o ombro
ansioso aproveite
mais um toque.
lili
terça-feira, 21 de abril de 2009
'A primeira lei é a do insólito!'
são tantos pescoços
explodindo, fundindo-se
pelas ruas de sempre;
mais uns sorrisos,
(talvez uma gargalhada)
confortáveis e calorosos.
o abandono é impassível,
o plástico é amarelo,
as vezes até vermelho,
acolhedor como um
cigarro encontrado na
bolsa logo ao chegar em casa.
o desconexo agrega sentido
enquanto as cabeças se
inclinam pra trás sem
ligar pra chuva ou
outras coisas.
-lili
explodindo, fundindo-se
pelas ruas de sempre;
mais uns sorrisos,
(talvez uma gargalhada)
confortáveis e calorosos.
o abandono é impassível,
o plástico é amarelo,
as vezes até vermelho,
acolhedor como um
cigarro encontrado na
bolsa logo ao chegar em casa.
o desconexo agrega sentido
enquanto as cabeças se
inclinam pra trás sem
ligar pra chuva ou
outras coisas.
-lili
segunda-feira, 13 de abril de 2009
desastre iminente
Sem cerejas e
chocolate, eu sou
Tão
idiota, mais uma vez.
(Rompem-se os pontos
no estômago, que
ameaça sangrar)
Aqui não é a
estação das tulipas.
Aqui, a primavera
é indiferente
enquanto uma pilha
vaza e se esvazia
de carga.
Praga e Paris continuam
a assombrar-me com
imagens de janelas,
óculos,....
(..nunca pensei em vocês como semelhantes!)
Mas já cantavam em
uníssono a assustadora
previsão "o fim não tem fim".
lili
chocolate, eu sou
Tão
idiota, mais uma vez.
(Rompem-se os pontos
no estômago, que
ameaça sangrar)
Aqui não é a
estação das tulipas.
Aqui, a primavera
é indiferente
enquanto uma pilha
vaza e se esvazia
de carga.
Praga e Paris continuam
a assombrar-me com
imagens de janelas,
óculos,....
(..nunca pensei em vocês como semelhantes!)
Mas já cantavam em
uníssono a assustadora
previsão "o fim não tem fim".
lili
quarta-feira, 25 de março de 2009
"z é de zilla que bebeu gin demais"
a pele no papel
disse o que o espelho sempre negou
mas não sei quem mente.
lili
disse o que o espelho sempre negou
mas não sei quem mente.
lili
terça-feira, 17 de março de 2009
Perdi meus aneis no mar
tomado pela distância
Será capaz
,o amor,
Transbordar para os lados?
Que exagero:
O excesso!
Já que meus anéis
jamais voltarão
Não faço questão
de envelhecer ao seu lado
Quero apenas chorar
lágrimas densas
E assim rir
Pelo gosto salgado que chega
à seus lábios.
por anouk
domingo, 15 de março de 2009
'aquele marinheiro quer sua bebida'
e em cada relance enrubescer
à visão de traços inesperados
que a mente estreita jamais
poderia conceber.
na menor das ações sentir
a juventude desajeitada que
se prolonga após seu tempo
em todo passo cuidadoso
perceber nova faceta de
tão perfeita combinação
"ela está nua, mas vestindo
seus tênis. e isso a torna
menos atraente,
não?"
lili
à visão de traços inesperados
que a mente estreita jamais
poderia conceber.
na menor das ações sentir
a juventude desajeitada que
se prolonga após seu tempo
em todo passo cuidadoso
perceber nova faceta de
tão perfeita combinação
"ela está nua, mas vestindo
seus tênis. e isso a torna
menos atraente,
não?"
lili
domingo, 8 de março de 2009
"Abril, por que você volta?"
um estranho invade a casa em silêncio:
já esteve ali antes e mais outra vez;
muda as luzes de lugar, vira alguns
quadros de cabeça pra baixo--
se esconde nas sombras e,
em ocasião, abre umas janelas
pra não acumular poeira.
o proprietário às vezes aparenta
nem ligar. as vezes ele só vai
até o porão e se esconde um
pouco, cansado demais pra
qualquer atitude.
o invasor também sente preguiça.
parece que ninguém quer ocupar
de fato tal casa. o assoalho que clama
pra não ser deixado sozinho.
-lili
já esteve ali antes e mais outra vez;
muda as luzes de lugar, vira alguns
quadros de cabeça pra baixo--
se esconde nas sombras e,
em ocasião, abre umas janelas
pra não acumular poeira.
o proprietário às vezes aparenta
nem ligar. as vezes ele só vai
até o porão e se esconde um
pouco, cansado demais pra
qualquer atitude.
o invasor também sente preguiça.
parece que ninguém quer ocupar
de fato tal casa. o assoalho que clama
pra não ser deixado sozinho.
-lili
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
mágica
na caixa há sete furos,
alguns pelos lados e
um que a atravessa
pelo meio.
as espadas passam
de canto a canto
ferindo a assistente
do mágico que, por fim,
emerge pelas portas
sem um arranhão sequer.
em confinamento, entretanto,
permanecem
(mortas)
as suas entranhas.
-lili
alguns pelos lados e
um que a atravessa
pelo meio.
as espadas passam
de canto a canto
ferindo a assistente
do mágico que, por fim,
emerge pelas portas
sem um arranhão sequer.
em confinamento, entretanto,
permanecem
(mortas)
as suas entranhas.
-lili
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
afinal, por que não?
já cantavam os
ingleses: "preferia ter
manchas de batom
no colarinho ao
invés de marcas
de mijo no
sapato."
braços e pernas
e copos e meu pé
enroscado em um
pescoço--
os espaços se
fundem e de
modo contorcio-
nista eu os sinto
dissolvidos em
um só.
todo o plástico
amarelo fica
confuso, ferindo
meu olhar.
talvez eu tire sorte do azar
ou, quem sabe, talvez eu até
mude.
lili
ingleses: "preferia ter
manchas de batom
no colarinho ao
invés de marcas
de mijo no
sapato."
braços e pernas
e copos e meu pé
enroscado em um
pescoço--
os espaços se
fundem e de
modo contorcio-
nista eu os sinto
dissolvidos em
um só.
todo o plástico
amarelo fica
confuso, ferindo
meu olhar.
talvez eu tire sorte do azar
ou, quem sabe, talvez eu até
mude.
lili
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
na varanda
nem lembrava mais como era
o sol no meu olho:
as árvores brilham verdes-
as piscinas estão cheias,
mas nenhuma ocupada-
uma vizinha briga com a filha-
um homem passeia com o cão--
-lili
o sol no meu olho:
as árvores brilham verdes-
as piscinas estão cheias,
mas nenhuma ocupada-
uma vizinha briga com a filha-
um homem passeia com o cão--
-lili
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
poema para o breves
(peço desculpas adiantadas pela pobre qualidade do que segue)
atrás das colinas verdes,
de braços curtos e barba ruiva,
morava Alberich na maior
casa do vilarejo, onde os
olhos azuis de sua Freya
pairavam muitos centímetros
acima dos seus.
do meio das longas pernas
de sua longa esposa, vieram
longos filhos que acalmavam
seu pequeno coração. uma
noite despreocupada de amor,
entretanto, fez surgir seu
maior temor - um
menino indesejado
tão pequenino
quanto ele mesmo.
os anos continuaram
a aumentar, a altura
estagnou, seu desgosto
dominou a convivência;
como ensinar a solidão
do anão a tão jovem
soldado?
com bravura, no entanto
assumiu seu papel: como
duas moedas do mesmo
pote de ouro, o fardo de um
é o peso do outro; enfrentando
então sua dura missão,
Alberich, grande pai
aprendeu a lição
de que ser diferente era
ganho também e Dvalin,
o júnior, soube como ninguém
sobre a vida esforçada
de todo anão e que o mundo
é duro quando perto do chão.
as décadas voam e a grama
sorri por trás das verdes colinas:
na vila já se tem um punhado
de casas altas como a que cresceu--
Dvalin trouxe revolução e paz
para o povo do nanismo
e com o martelo de raios,
concedido por Thor,
demonstrou ao seu mundo
que altura diminuta não
se proporciona igual
à importância;
valiosos valores ensinou-lhe
seu pai que, de coragem honesta,
apontou simples fato:
pra construir boa vida, não
é preciso ser alto.
lili
atrás das colinas verdes,
de braços curtos e barba ruiva,
morava Alberich na maior
casa do vilarejo, onde os
olhos azuis de sua Freya
pairavam muitos centímetros
acima dos seus.
do meio das longas pernas
de sua longa esposa, vieram
longos filhos que acalmavam
seu pequeno coração. uma
noite despreocupada de amor,
entretanto, fez surgir seu
maior temor - um
menino indesejado
tão pequenino
quanto ele mesmo.
os anos continuaram
a aumentar, a altura
estagnou, seu desgosto
dominou a convivência;
como ensinar a solidão
do anão a tão jovem
soldado?
com bravura, no entanto
assumiu seu papel: como
duas moedas do mesmo
pote de ouro, o fardo de um
é o peso do outro; enfrentando
então sua dura missão,
Alberich, grande pai
aprendeu a lição
de que ser diferente era
ganho também e Dvalin,
o júnior, soube como ninguém
sobre a vida esforçada
de todo anão e que o mundo
é duro quando perto do chão.
as décadas voam e a grama
sorri por trás das verdes colinas:
na vila já se tem um punhado
de casas altas como a que cresceu--
Dvalin trouxe revolução e paz
para o povo do nanismo
e com o martelo de raios,
concedido por Thor,
demonstrou ao seu mundo
que altura diminuta não
se proporciona igual
à importância;
valiosos valores ensinou-lhe
seu pai que, de coragem honesta,
apontou simples fato:
pra construir boa vida, não
é preciso ser alto.
lili
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
à lili, com amor, sempre.
como andou sendo dito em alguns comentarios, preciso me impor:
eu nunca deixei de escrever aqui.
A lili que é uma maquina de poemas
o incrível é que nao é uma simples maquina de poemas,
é uma maquina de bons achados.
que eu invejo
no bom sentido.
Não faz sentido eu escrever aqui agora,
mas o tédio é tamanho que pela primeira vez não estou fazendo um rascunho antes.
Liguei o foda-se, sem querer ser grosseira.
Nem achado, muito menos perdido,
apenas escrito
Tambem, porque escrever rascunho (?),
se nao vou te mostrar na area fumante
do shopping da gavea?
como eu vou escrever alguma coisa sem as aulas do sergio cabo pra me inspirar?
Me cansei da incerteza dessas ferias que eu nao sei quando terminam.
me da medo nao saber que em baixo de nossos pés
existem pessoas conhecidas e queridas, aos nossos lados ou na cantina.
me da medo tudo isso
nao saber escolher me da medo, decidir.
e o medo da distancia, é claro,
sempre me persegue.
preciso que voce me diga que eu preciso de analista.
porque eu sou uma como qualquer outra,
e sempre é bom.
Mas será sempre bom?
eu preciso saber se será sempre bom.
eu diria a uma analista que eu sonho, toda noite.
e que eu tenho acordado assustada sem saber do meu sonho.
e o nao saber assusta, muito mais do que acordar.
e o que ela me diria?
o que ela pode dizer de um sonho esquecido?
de que adianta os fatos se não ha memoria?
sem testemunha.
a camisa do tunico é sem cor, certo?
ele é dautonico.
e o meu sonho, da onde vem?
eu nunca deixei de escrever aqui.
A lili que é uma maquina de poemas
o incrível é que nao é uma simples maquina de poemas,
é uma maquina de bons achados.
que eu invejo
no bom sentido.
Não faz sentido eu escrever aqui agora,
mas o tédio é tamanho que pela primeira vez não estou fazendo um rascunho antes.
Liguei o foda-se, sem querer ser grosseira.
Nem achado, muito menos perdido,
apenas escrito
Tambem, porque escrever rascunho (?),
se nao vou te mostrar na area fumante
do shopping da gavea?
como eu vou escrever alguma coisa sem as aulas do sergio cabo pra me inspirar?
Me cansei da incerteza dessas ferias que eu nao sei quando terminam.
me da medo nao saber que em baixo de nossos pés
existem pessoas conhecidas e queridas, aos nossos lados ou na cantina.
me da medo tudo isso
nao saber escolher me da medo, decidir.
e o medo da distancia, é claro,
sempre me persegue.
preciso que voce me diga que eu preciso de analista.
porque eu sou uma como qualquer outra,
e sempre é bom.
Mas será sempre bom?
eu preciso saber se será sempre bom.
eu diria a uma analista que eu sonho, toda noite.
e que eu tenho acordado assustada sem saber do meu sonho.
e o nao saber assusta, muito mais do que acordar.
e o que ela me diria?
o que ela pode dizer de um sonho esquecido?
de que adianta os fatos se não ha memoria?
sem testemunha.
a camisa do tunico é sem cor, certo?
ele é dautonico.
e o meu sonho, da onde vem?
sábado, 17 de janeiro de 2009
ode a chica
essas mãozinhas
mergulhadas na
neve me atrapalham
de jeito gracioso;
e entre mordidas e
olhares maldosos,
você é tão macia que
eu aprendi a não ligar.
o seu rabo balança em
sinal de desafeto, mas
também sou filha e te
entendo, gata. admito
que já pensei em cortar
seus bigodes pela diversão
de te ver desorientada:
já passou. no final das
contas, a sua raiva e olhar
errático me fazem pensar
que é mesmo minha filha.
lili
mergulhadas na
neve me atrapalham
de jeito gracioso;
e entre mordidas e
olhares maldosos,
você é tão macia que
eu aprendi a não ligar.
o seu rabo balança em
sinal de desafeto, mas
também sou filha e te
entendo, gata. admito
que já pensei em cortar
seus bigodes pela diversão
de te ver desorientada:
já passou. no final das
contas, a sua raiva e olhar
errático me fazem pensar
que é mesmo minha filha.
lili
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
'o caminho pra bonito..'
minhas mãos
apodrecem
com o progredir da paisagem,
enquanto eu me distraio com o som
de violinos e sintetizadores. assim
como ontem, e os próximos dias,
a minha conexão com o mundo
real consiste em fumaça e escuro.
no banco de trás do carro parece
que não se cresce, e as lembranças
das viagens antigas se misturam
com o agora e me mergulham em
desespero passivo, amenizado
nas vozes que saem do fone de ouvido.
o silêncio dos outros, dentro dos pensamentos de
fatos irreais e desejos
cretinos que causam esboços
de sorrisos, as árvores se movem
como eu me movo pelos tímpanos.
e, como que de propósito, sempre que
tiro meus óculos a paisagem me dá sono.
os sorrisos dos locais
me dão ânsia de choro.
os donos de bar, os padeiros,
o policial na rodoviária, eu quero
que eles fujam pra algo maior, além
da estrada e dos mosquitos. as suas
vidas me agonizam, mas mais ainda
suas alegrias ilógicas. o excesso de
cuidado e carinho me repelem com horror,
nessa mente dura e suja
de filmes de terror hollywoodianos.
eu quero ciganos, música, sujeira,
ódio, barulho, caos. quero voltar
ao meu elemento; não posso,
então me prendo a um pacote
de pizza velha e fria e um maço pela metade.
essa prisão tem umidificador
de ar e doce de leite, mas
as histórias do filho em hamburgo
me trazem brilho nos olhos e
uma coceira de pular num avião
e ir também. um aeroporto cheio
de concreto e uniformes e aeromoças
e carros e vozes modernas.
e no meio do pântano, dos belos pássaros,
alguém fala sobre contemplação pessoal
no mato. que belo, penso eu, que triste, eu sei,
que vejo mais poesia num bloco de concreto
do que em qualquer árvore.
tudo é realmente adorável mas
a apatia incontrolável me dá um prazer nojento.
foi tamanha que nem os insetos ligaram
pra mim - eu cantarolava e apenas o cão
me ouvia- "time takes a cigarrette, puts it in your mouth..."
o guia me agradava; me agradava também (e mais ainda)
o seu desejo de ver o Rio. de ver o mar
que eu tanto negligencio passando o tempo numa cama
vendo filmes na tevê e procurando algo pra passar
o tempo até que seja tempo de sair.
percebo que a lua aqui é a mesma que eu vejo
de casa, e que passarinhos também pousam
na minha varanda - lá, entretanto, eu posso fumar em paz.
lili (já perto do rio e feliz)
apodrecem
com o progredir da paisagem,
enquanto eu me distraio com o som
de violinos e sintetizadores. assim
como ontem, e os próximos dias,
a minha conexão com o mundo
real consiste em fumaça e escuro.
no banco de trás do carro parece
que não se cresce, e as lembranças
das viagens antigas se misturam
com o agora e me mergulham em
desespero passivo, amenizado
nas vozes que saem do fone de ouvido.
o silêncio dos outros, dentro dos pensamentos de
fatos irreais e desejos
cretinos que causam esboços
de sorrisos, as árvores se movem
como eu me movo pelos tímpanos.
e, como que de propósito, sempre que
tiro meus óculos a paisagem me dá sono.
os sorrisos dos locais
me dão ânsia de choro.
os donos de bar, os padeiros,
o policial na rodoviária, eu quero
que eles fujam pra algo maior, além
da estrada e dos mosquitos. as suas
vidas me agonizam, mas mais ainda
suas alegrias ilógicas. o excesso de
cuidado e carinho me repelem com horror,
nessa mente dura e suja
de filmes de terror hollywoodianos.
eu quero ciganos, música, sujeira,
ódio, barulho, caos. quero voltar
ao meu elemento; não posso,
então me prendo a um pacote
de pizza velha e fria e um maço pela metade.
essa prisão tem umidificador
de ar e doce de leite, mas
as histórias do filho em hamburgo
me trazem brilho nos olhos e
uma coceira de pular num avião
e ir também. um aeroporto cheio
de concreto e uniformes e aeromoças
e carros e vozes modernas.
e no meio do pântano, dos belos pássaros,
alguém fala sobre contemplação pessoal
no mato. que belo, penso eu, que triste, eu sei,
que vejo mais poesia num bloco de concreto
do que em qualquer árvore.
tudo é realmente adorável mas
a apatia incontrolável me dá um prazer nojento.
foi tamanha que nem os insetos ligaram
pra mim - eu cantarolava e apenas o cão
me ouvia- "time takes a cigarrette, puts it in your mouth..."
o guia me agradava; me agradava também (e mais ainda)
o seu desejo de ver o Rio. de ver o mar
que eu tanto negligencio passando o tempo numa cama
vendo filmes na tevê e procurando algo pra passar
o tempo até que seja tempo de sair.
percebo que a lua aqui é a mesma que eu vejo
de casa, e que passarinhos também pousam
na minha varanda - lá, entretanto, eu posso fumar em paz.
lili (já perto do rio e feliz)
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Ano novo
Primeiros dias
Desesperadores
Pressão_ preciona-me
[Haja preciosidade]
Nervossismo esse
Quase inconsciente
Em conjunto
Em todos.
Esperança
De que?
Realizações tardias
ainda são satisfatórias?
É apenas outro dia
Apenas Mais um dia
A ser vivido
Sofrido
E amado.
E pronto,
Ponto.
Nosso castigo
,por ter vida,
É acordar todos os dias
e ter a mesma cara
[mesmo rosto, e rastro]
No espelho
que cisma em estar
junto a pia.
Hoje me deparo:
Um rosto diferente!
Devo estar apenas
um pouco mais
cansado.
por anouk
Desesperadores
Pressão_ preciona-me
[Haja preciosidade]
Nervossismo esse
Quase inconsciente
Em conjunto
Em todos.
Esperança
De que?
Realizações tardias
ainda são satisfatórias?
É apenas outro dia
Apenas Mais um dia
A ser vivido
Sofrido
E amado.
E pronto,
Ponto.
Nosso castigo
,por ter vida,
É acordar todos os dias
e ter a mesma cara
[mesmo rosto, e rastro]
No espelho
que cisma em estar
junto a pia.
Hoje me deparo:
Um rosto diferente!
Devo estar apenas
um pouco mais
cansado.
por anouk
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
acontece
as pernas saindo
da pedra juntando
com as heras subin-
do a janela aberta
já esperando de
flores brancas e
cortina escancarada
mas o calcanhar
ficou preso e a
julieta ficou sem romeu.
lili
da pedra juntando
com as heras subin-
do a janela aberta
já esperando de
flores brancas e
cortina escancarada
mas o calcanhar
ficou preso e a
julieta ficou sem romeu.
lili
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
rosamond
[rosamond]
não enxergava por debaixo da franja.
seus gatos, entretanto, enxergavam
muito bem debaixo do seu vestido.
quatro pares de olhos amarelos
reluzindo diante daquela palidez
que um vestidinho azul mascarava
(na verdade, realçava, mas ela fingia não saber)
lili
não enxergava por debaixo da franja.
seus gatos, entretanto, enxergavam
muito bem debaixo do seu vestido.
quatro pares de olhos amarelos
reluzindo diante daquela palidez
que um vestidinho azul mascarava
(na verdade, realçava, mas ela fingia não saber)
lili
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
"não mais que uma dúzia de mesas e um cliente que não gosta de falar"
(e, do mesmo modo
que um balão se esvazia,
as obrigações desapare-
cem e então eu crio novas,
forjando objetivos maiores,
suplicando por um qualquer.)
[lili]
domingo, 16 de novembro de 2008
'não essas turbulentas mãos torcidas, esse telhado escuro sem estrela"
como uma raquete de tênis ou um
vidro quebrado, eu brado e quebro
e peço por pés e acabo pisando em
agulhas.
só fogo saindo da boca e fumaça
pelos ouvidos, eu grito e
choro e
choro.
-lili
vidro quebrado, eu brado e quebro
e peço por pés e acabo pisando em
agulhas.
só fogo saindo da boca e fumaça
pelos ouvidos, eu grito e
choro e
choro.
-lili
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
Na mesa com medievais
Bando de
Bárbaros
de rosto liso:
Batendo martelos na
madeira, vestidos de
preto-da-lei,
brincando de ser
adulto, perdendo a
juventude.
Tão tolos quanto
sempre, com medo
de se cortar, sem
coragem para o sangue,
buscam refúgio nas coisas
"concretas"
Não vêem que é tudo
fumaça-e-espelhos
(e que a Noite ilumina as portas)
por lili
Bárbaros
de rosto liso:
Batendo martelos na
madeira, vestidos de
preto-da-lei,
brincando de ser
adulto, perdendo a
juventude.
Tão tolos quanto
sempre, com medo
de se cortar, sem
coragem para o sangue,
buscam refúgio nas coisas
"concretas"
Não vêem que é tudo
fumaça-e-espelhos
(e que a Noite ilumina as portas)
por lili
sábado, 1 de novembro de 2008
reflexões de meio de tarde
sem fôlego,
umas flores rosas eram borboletas
no vento
e as montanhas diminuíam à visão
das pessoas se divertindo
em piscinas
e hotéis.
na minha varanda só há plantas
cadeiras e
chão;
não me divirto tanto assim quando é sol.
-lili
umas flores rosas eram borboletas
no vento
e as montanhas diminuíam à visão
das pessoas se divertindo
em piscinas
e hotéis.
na minha varanda só há plantas
cadeiras e
chão;
não me divirto tanto assim quando é sol.
-lili
terça-feira, 28 de outubro de 2008
para trás
Orgasmo se dissolve
em maresia.
De Ilhéus restou-me
apenas o porto
Algodão:
Tecido no coro.
Mas o chocolate,
ah,
o chocolate.
Era daqueles
de
derreter na boca.
em maresia.
De Ilhéus restou-me
apenas o porto
Algodão:
Tecido no coro.
Mas o chocolate,
ah,
o chocolate.
Era daqueles
de
derreter na boca.
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
jesuítas
tão magra
aquelas calças, largas demais
o cabelo era verde e laranja
e chingavam "palito"
pelos corredores.
continua vagando e observando o sol de verão
entrando pelas varandas
e se sentindo
um absoluto
lixo.
por lili
aquelas calças, largas demais
o cabelo era verde e laranja
e chingavam "palito"
pelos corredores.
continua vagando e observando o sol de verão
entrando pelas varandas
e se sentindo
um absoluto
lixo.
por lili
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Querida
Os meus desenhos
no teto da sua
cama me comovem,
assim como o colar
e o cartão que ficam
na estante branca.
Fazes das maiores
banalidades um amor
imenso. Você é com-
pletamente memorável.
por lili
(para clara)
no teto da sua
cama me comovem,
assim como o colar
e o cartão que ficam
na estante branca.
Fazes das maiores
banalidades um amor
imenso. Você é com-
pletamente memorável.
por lili
(para clara)
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
a solidão em convés ilegal
Barulho notável
Em pausa,
em pauta:
Silênciosa.
Nenhum anel para
musicar ao toque
daquelas grandes moedas de ouro.
Titubeio no ar,
não há valor.
Mas também, não há necessidade
Apenas do anel,
para meus ouvidos inférteis
se banharem
Em sinfonia metálica.
por anouk
Em pausa,
em pauta:
Silênciosa.
Nenhum anel para
musicar ao toque
daquelas grandes moedas de ouro.
Titubeio no ar,
não há valor.
Mas também, não há necessidade
Apenas do anel,
para meus ouvidos inférteis
se banharem
Em sinfonia metálica.
por anouk
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Uma carinha emburrada
Mau humor absoluto
Sonoplastias violentas
Me perseguem, impiedosamente
"Ai!", Ach, gritinhos de dor,
De insatisfação. Só mimo,
Dizem: que se fodam.
Que sumam todos diante
Da minha mediocridade.
Um gole nunca foi suficiente
Pra calar o mundo, mas
Vários certamente
Realizam o truque.
Pá! As autoridades ainda
Fogem da seriedade e
Me enervam com o furor
De um mauricinho rejeitado.
por lili
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