quarta-feira, 11 de novembro de 2009

pneumática

balança de um
lado para
o outro
na auto-asfixia
mais fleumática...!

semblante cinzento,
enrugado, sua puta
rodada, que fim
mais ingrato:

a árvore
em que se pendura
jamais se compara
aos chãos que
a tocaram.

-lili

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

era tão cedo que não pude perceber melhor

as sombras dos homens
que se derretem
em palavras
afetuosas num papel
que é corpo e
é casa
e é olhos e
mãos.

a equilibrista se
morfa de forma
alongada e a
pele suave que
é cabelo e é
mar constitui
o amor dos
verbos das sombras.

lili

"as árvores, como pulmões, se enchendo de ar. minha irmã - a má - puxando meu cabelo."

ainda é difícil
ouvir o som do elevador
e lembrar que
estamos todos aqui.

-lili

e alem do mais, piadas cretinas

a luz azul e o
reflexo rosa nos
braços finos que
se resumem a
nada.

até a árvore zomba
desses gravetos,
apedrejando-os
com golpes vagos.

no mesmo cenário em
os pés costumavam
sangrar, as mãos
de vulcão
apodrecem e viram
o mesmo que o tabaco
queimado:

restos morais.

-lili

"antes um punhal que a tua mão em mim, Franz"

essa pirraça-
pirraça!
invisível porque não
é percebida
que cansa cansa cansa
e eu bato o pé no chão
e faço biquinho
e fico com os olhos
grandes e nada, nada
da minha má-
criação faz barulho.

lili

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Terceiro sinal (achado de 2007)

Apenas mais uma noite de segunda-feira.

Derrepente me vi
curiosa.
Não me sentia assim
fazia tempo.

tempo?

Era aquele armário;
derrepente aparecera ali.
Será que sempre
sempre estivera presente?
nunca havia
sentido
aquele peso!

A gente vai vivendo e as coisas vao passando dispercebidas...

Aquelas
grandes portas
de madeira maciça
não pareciam
assombrar-me aos 10 anos

tempo.

Porque apareceram
ali,
agora?
Curiosidade,
já tão grande!
e o peso
daquelas
grandes portas
de madeira maciça
me segurando!

resolvi abri-las.

encontrei aplausos.



por anouk

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

nuvem

Familia monstro,
de monstro
só tem a mãe,
que por falta de prego

sa c r i f i c a

a coluna
de seus discipulos
que passam horas
de meia
em
meia


por anouk (nos tempos de laura alvim)
Ao amante de Anfitrite,
um feliz dia dos pais

admito,
invejo seu amor por ela:

Só não sei se invejo
ainda mais o
avesso.

por anouk

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

doença maldita

Não tenho outro par
de braços que recolha
meus lenços de papel e
me dê colher de chá-rope

Não, tenho mãos
invisíveis que esmagam
a caixa toráxica e
me roubam o ar

hhhhhhhhhhhhh

-cof lili cof

domingo, 18 de outubro de 2009

sopa no fogo

que potético
hipotético
poético
patético
não, não
patética, não posso enganar a ninguém
mas,
vai,
seria lindo.

-lili

ceia moderna

descongelando
e nada mais:
simples
e mente
deixada
na mesa da cozinha
preparando pro
dia-de-ação-de-graças
(sem dizer se sou o peru
ou uma batata doce perdida
no congelador):
descongelando.

-lili

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

nota pra si: aprender a dizer "vamos brincar?"

tantos dias colada no colchão,
como uma mulher obesa que
virou uma com seu sofá,
enquanto come bombons
e assiste nada demais.

nariz sangrando
como lágrimas urgentes,
estirada na cama
o tempo todo, todo o
tempo, fazendo coisas demais
(que nada!)

embolada com a espuma
a mola o
lençol
a coberta
encolhida de
medo de um nome
(isso não deve ser saudável)
travada inventando rotina
que não seja

vegetar o
dia inteiro na
cama vendo o
clima mudar enquanto estou
deitada.

-lili

feneco

você é um tigre de dentes de sabre,
você é um coelho,
você é um velhinho chinês!
a sua barriga é rosinha
e branquinha e você é
carente e grita e
ocupa meu travesseiro
e rouba minha água e faz
traquinagens por todo canto.

assusta os hóspedes
com sua cara de louca,
assusta a gente
pulando pela janela,
e arranha e morde
e faz sangrar
mas
gatinha,
você é o amor puro!

-lili

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

fato que está se tornando recorrente

sou
tão
especial quando ela
erra a mira do lixo e
olha pra
mim (pra mim!)
e rio, boboca, de volta
(e pra mim mesma)
como uma colegial
(bobaca)
achando graça no
sol-de-verão que
repousa em seu colo.

lili

sábado, 3 de outubro de 2009

"Se a lua sorrisse, teria a sua cara"

bando de bibelôs
empoeirados--
velharia sem graça.

(uma boca se abre mas
sai som algum
inibida pelo olhar
cortante)

o davi adaptado segura
um espanador com
meu nome escrito:
estátua

e é isso.

-lili

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

o fruto

paciencia
paciencia
dependencia
hoje,
fui morder uma pera
de aparencia
da melhor
Mas a tal
sugou minha saliva
e minha boca pareceu

enrrrrrugar.


por Anouk

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

fato estranho do dia

hoje, uma
menina bonita
na aula olhou
pra mim
e eu
fiquei vermelha
como um pimentão e
sorridente como
se fosse um menino
bonito
me olhando.

-lili (confusa?)

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

dezesseis

deitada nos pedaços ensolarados da madeira,
o cabelo puxa a pele e o corpo vai se desfiando
(esse suéter já não prestava mesmo),
as linhas douradas derretendo pelas frechas.

par de tênis casualmente deixado ao lado de uma cama,
(fios)
casacos por cima da cadeira, bolsas na maçaneta,
(fios, fios)
desprovidos de qualquer entrelinhamento.

uma nova roca de madeira nobre,
costureirinhas sentindo-se abandonadas
em seus porões,
maquinando frankensteins de algodão.

um corpo estirado no deque, o livro esquecido em cima da mesa,
as flores saindo da porta, o cheiro impregnado nas paredes-

o que é isso tudo senão poeira amontoada?

-lili

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Arbeit macht frei

A aula que entedia
e os rabiscos que refugiam
dentro do bunker
estofado.

o führer que não conhece seu público
esse bando de soldados pudicos,
arianos sem cor contando
piadas beges que grudam
no concreto invisível.

sentada na cadeira de arame
farpado, a tenente inimiga suplica:
"alguém me tire daqui...."
mas é tudo invenção:

eu poderia só sair pela porta.

-lili

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

inadequada

a pele saindo
que nem a da cobra
que nem um casaco
meu deus, que fiasco
que cara de palhaça.

-lili

domingo, 6 de setembro de 2009

"se transformou num filme sobre a catástrofe inevitável que nunca aconteceu"

Sofredor,
por que amarra os cadarços
se está à espera da morte?

(lili)

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

"você sempre gostou de um homem de uniforme..."

jogadores de concreto
me iluminam, me recebem:
bem vinda, você está em casa,
afinal.

o romantismo nos ensina
a idolatrar o passado,
enchendo os cenários
de obstáculos. eu fico
ranzinza.

bato o pé, malcriada--
a primeira lei do
erotismo, Crepax
ensinou, é o
in só li to

e ele me encontrou
novamente; finalmente.
arfando enquanto
a bola pesada passa
de gol em gol,
voltei pro Kansas.

Obrigada, senhor Pebolim.
(lili)

inércia 2

Meu relógio arranhou.
Tão cedo!
e os ponterios continuam ali
corra lola, corra

por anonimo

Inércia

insanidade, insanidade, insanidade, insanidade, insanidade
inércia, inércia, inércia, inércia, inércia, inércia, inércia, inércia
cansada, cansada, cansada, cansada, cansada, cansada, cansada
tédio, tédio, tédio, tédio, tédio, tédio, tédio, tédio, tédio, tédio
sexo
sexo
sexo
falta, falta, falta, falta, falta, falta, falta, falta, falta, falta, falta
culpa, culpa, culpa, culpa culpa, culpa, culpa, culpa, culpa, culpa
minha, minha, minha, minha, minha, minha, minha, minha, minha
rotina, rotina, rotina.
carência, carência, carência, carência, carência, carência, carência
paixão?
tesão, tesão, tesão, tesão, tesão, tesão, tesão, tesão, tesão, tesão

insanidade, insanidade, insanidade, insanidade, insanidade
sonho, sonho, sonho, sonho, sonho, sonho, sonho, sonho, sonho
onírico, onírico
A ênfase do discurso cai sobre o objeto

vai, vai, vai, vai, vai, vai, vai, vai, vai, vai, vai, vai, vai
vem, vem, vem, vem, vem, vem
o Espelho cisma em estar junto a pia



por anouk

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

rosemary, vamos à praia

martelo azul,
manchado de melancolia,
descansa na cabeceira.

edredon arruinado,
furo no colchão,
porta fechada, sem faniquitos.

punho negro escorrendo
junto às frutas podres,
a cozinha obnubilada.

batimento fraco,
desestimulado.
é por isso que a mão é fria?

óculos empoeirado.
não,
os outros empoeirados.

-lili que não vê há um tempo alguém que dá a "exata impressão de estar desabrochando".

terça-feira, 25 de agosto de 2009

"Não lave as mãos, isto é um bebedouro"

No fim da operação lamsa
existe um vórtex:
um prédio sem sigla,
uma professora linda,
duas gringas irmãs,
imigrantes da áfrica,
olhos esbugalhados,
uma semente do mal no alemão,
a erva daninha (tirando a camisa
sempre que pode),
o garoto gorila,
cerveja na promoção.

Há uma trilha pro paraíso
da trindade sagrada:
a cerveja, a sinuca, o totó: eba!
jardins internos com peixes
e mesas pro buraco,
performances aleijadas e
japonesas religiosas.

Uma área gastronômica,
oito-pães-de-queijo-por-um-real,
restaurante com ar condicionado,
comidas chinesas suspeitas....

Aulas de grego para serem ignoradas,
visões bucólicas pela janela e
um transporte mortal que nos tira de lá.

Uma gringa se foi,
depois a outra,
o totó quebrou,
o gorila não entrou no francês.
Nos sobraram alguns desenhos...

de lili, para diego anouk joão e raphael

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

jesuítas, parte II

O lugar é uma femme fatale.
Aquelas colunas,
colossais, o piso
singular e seus defeitos
charmosos e o
jardim: com, bem
no meio, o,
o sino.

Uma tarântula
vestindo seu terço
te devora vivo,
sedutora,
lentamente, com dor sutil.

Não se enganem com
seus abraços afáveis,
nem com meus
relatos sofridos;
eu fui
apenas
uma casualidade da guerra.

lili

domingo, 9 de agosto de 2009

sem mais adiamentos, por favor

Você boceja,
dizendo tudo.

Essa paisagem é cinzenta,
mas sem concreto algum.
Só as nuvens dissumuladas--

Alguns olhares são
vivazes. Estou cansada,
tudo perde contraste.

Mas não perco
o controle. Controle de
prosseguir em fazer
nada.

Enquanto troco os
óculos, a visão é
embaçada. Que descanso;

Seguido por dor-
de-cabeça. Sim,
assim são as férias.

-lili

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

a função do gato na insônia

Ei gatinha,
não se vá ainda.
Me dê um pouco
de calor, antes deu
ir dormir; me dê um
pouco de amor
Antes deu ir dormir.

O seu pêlo é tão macio!
e as garras afiadas,
na minha bochecha, que
arde
enquanto você some
pela porta.

lili

terça-feira, 4 de agosto de 2009

anatomia

costumava pensar
que o sangue,
se estancado
por tempo demais,
coagulava e
apodrecia;

era engano.
ele só muda de cor --

osso por osso,
eu não tenho
poros;

só a córnea
é irregular.
mas não afeta a visão,
não mais.

lili

domingo, 2 de agosto de 2009

Frida

parece um motor
escondido
de um barco em mar
de furia.
Me olha
parece com medo
porém,
só dorme
comigo acordada.




por anouk para a querida frida!

quarta-feira, 29 de julho de 2009

'se voce quer sangue, você conseguiu'

nua, com os
óculos-de-ficar-em-casa,
e umas garras
que eu pintei,
na mão,

eu lembro de
quando lhes chamei de
juízes:

não mais o são.

-lili

com todas as suas sardas

e com o seu cabelo,
amarelo, que depois
virou cobre, ela perguntou
"o papa é judeu?"

saiu da cena de
fininho, bem gradual,
(pra ninguém perceber.)
quando vi, já estava
recolhendo meus cacos.

há dois meses,
passei a tropeçar
numas fotos....
ela voltou,
desbotada,
cheia de mistérios
e novas tatuagens.

-lili

terça-feira, 28 de julho de 2009

Salvação

Não é pela sujeira
de teu cinzeiro
Que recuso tuas 50 pratas.

Não preciso te provar
nada.
E a maneira como me trata
me enoja.

Ao me fazer deletar
essa amizade (farsa!!)
me define:

Sua ex-futura-escrava-sexual


por anouk 2 minutos antes de se resolver.

Damian Rice não tem absolutamente nada haver com isso

Absolutamente nada.


por Anouk já melhor resolvida

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Você

Vem como a
visão do diabo em
terra celeste.

Você acha que
me ensina uma
lição.

Fica alheio ao
delírio que eu
crio, insistente.

você deita esticada
como uma cobra que
come um elefante,

Vocês
não estão
nem aí

-lili (que ta aqui, de bobeira)

quarta-feira, 8 de julho de 2009

trecho de uma produção do tédio

Um professor gordinho
usa tênis prateado.
Entendo muito pouquinho,
mas meu segredo está velado.

lili do ano passado!

sexta-feira, 3 de julho de 2009

"Jamais, em toda a minha vida, tive um par de luvas pretas."

Ri sozinha:
Que opções?
Ha, ha, ha,
Não se iluda, garotinha
A esquina é tão vazia
Quanto a rua que a
Precede.

-lili

(...) do tamanho do chão

estatelada, ali,
no chão, de cabeça aberta,
notou suas
últimas palavras:
"levante a gola,
garotinha".

ele nem abriu a boca,
mas pensou:
se o seu sangue
moribundo rabisca
citações no
asfalto, que
se divirta no
processo.

-lili