sexta-feira, 3 de julho de 2009

(...) do tamanho do chão

estatelada, ali,
no chão, de cabeça aberta,
notou suas
últimas palavras:
"levante a gola,
garotinha".

ele nem abriu a boca,
mas pensou:
se o seu sangue
moribundo rabisca
citações no
asfalto, que
se divirta no
processo.

-lili

segunda-feira, 29 de junho de 2009

obnubilada

acho que,
quanto menos eu fumo,
digo,
quanto menos a
fumaça fica
dentro
de mim,
mais ela fica ao meu
redor.

que raio
de motivação
é essa?

lili frustrada

quinta-feira, 25 de junho de 2009

cansada no dia 17

e agora? a pele
esquenta, mas
os órgãos esfriam
doentes, fracos
pela adrenalina
suja e escura,
que não me é natural!

vai, vai embora,
não me faça
mais ranger os
dentes.

lili de maio

sexta-feira, 19 de junho de 2009

cardápio

Ontem, eu só queria a
Xícara, mas o
Chá teve destaque discreto
E o bule ocupou muito
Espaço.

lili

kinder und enkel und...

a xícara se depara com
bules,
pires,
chá.
aonde foram as outras
xícaras?
uma, na esquina com o bule
outra,
n'outra esquina com o pires.
elas dançam,
rodopiam,
ficam cheias - como é de costume com as xícaras -
e voltam a se parear
lado a lado no armário,
vendo através do vidro suas
pequenas xicrinhas brincarem no sol.

lili

sexta-feira, 12 de junho de 2009

o jantar

sentar ali com todos aqueles
garfos e colheres
e copos
procurando um amigo na toalha de mesa
enquanto as
facas dançam
de mão em
mão e apontam para
qualquer direção
eu sou o norte
magnético que
a bússola fracassada aponta
pois o meu humor é
rude demais,
aparentemente.

lili

quarta-feira, 10 de junho de 2009

continua a ter o mesmo gosto

"Ach, du."
Torcendo meu pescoço
com essas mãos dóceis.
Não mais, não mais--
Eu quero que você pare dessa
vez, de verdade. Mas
você já parou, não é?

Os seus dedos foram
amputados da minha pele!
Por isso continuo a senti-los:
Maldito, essa foi a sua melhor
piada dos últimos tempos. Eu
rio,
Ainda não sei por quê.

Não faz diferença. Seguro
os meus joelhos, faminta.
Você foi um bom Frühstück;
O almoço ainda não chegou--

"Você sorri.
Não, não é fatal."

por uma lili mais feliz por estar novamente junto do seu querido Ariel.

sábado, 6 de junho de 2009

"abril vem como um idiota, balbuciando e espalhando flores"

entra sem bater na
porta, sem fazer
barulho, e faz
ganir baixinho
o cão deitado na
cama, letárgico.

nunca vai embora,
sempre pairando,
ameaçando voltar.
e não falha em
cumprir a promessa:

volta sim,
volta sempre,
chutando sem
pudor algum
a pobre alma que
insiste em ulular.

-lili

segunda-feira, 1 de junho de 2009

insisto em afirmar que não sinto dor, sofrimento ou morte

ah, querido, eu ando
velha demais pra você;
o nosso amor foi minha
grande constante e, sem
você, não sei quem seria,
mas esse vício durou o
bastante, não era isso
o que eu intendia.

eu não lhe deixo
de uma vez só, essa
façanha ainda não
consigo, enquanto
sei que nós somos um
nó, que você foi o
meu melhor amigo;

a minha primeira visita
durante a manhã
e o mais doce
encontro antes de
dormir, não posso
mais ser a sua nhãnhã,
e temo, querido,
que irei conseguir.

-lili

sábado, 30 de maio de 2009

"me faz rir, aquele peixe na água está sedento"

esses narizes
são bem parecidos
e eu sinto que me
ensinam alguma
lição:

'não chegue tão
perto, não fique
muito longe e
opere com cautela'

mas quem liga?

-lili

domingo, 24 de maio de 2009

quem diria, a gente não esperava nada

senti sim
a água fresca,
quase gelada,
nesse calor
infernal,
me encher
de novas
vontades;

agora sei,
mais uma
vez, que não
há desistência
que leve
a bom resultado,
pois o
Insólito está
espalhado por aí,

escondido em
cada esquina,
imprevisível
como um jogo
de cartas,
digamos.

lili

domingo, 17 de maio de 2009

Odeio damien rice 2

Será possível coreografar um passo dissolvido?
se para frente ja foi difícil entender,
imagina para trás, onde não enxergo!

por anouk

eu odeio damien rice

O gato da Alice mais uma vez
me sorri
Sorri-me
E aparece em uma árvore
ainda mais baixa
Baixa como o golpe
que sem perceber você
me aplica.
Me deixa outra vez
a perguntar-me:
Onde quero chegar?
Afinal, encontrar não é NADA
e a gente ainda se esbarra por ai.

por anouk

sexta-feira, 15 de maio de 2009

sauerputzen

você me faca
não me faça
facar você com
essas facas todas;
eu faco pois voce
me usa, ei, não
faça uso dessa faca!

-lili

terça-feira, 12 de maio de 2009

"Anthony viu-se associando a própria vida com a vida do ascensorista noturno do prédio"

não me cega, maldita!
e tira esse sinistro do
meu olhar. eu sei
bem o que me irrita,
mas não quero palpitar
por instinto tão mesquinho
que borbulha na minha
veia, tampouco
dissolver meu ninho
em mil metros de areia.

pois foi árdua a construção
que ameaças sem pudor;
devo aceitar tal 'não'
e engolir esse furor,
afinal,
não é a falta de dialética
que esmagará minha ética.

lili

domingo, 10 de maio de 2009

"Nada viaja mais rápido do que a velocidade da luz, com exceção talvez das más notícias, que obedecem leis próprias e especiais."

me deliciando
com cada gota
desse sentimento
repugnante,
transbordando
pelas palavras.

ainda assim,
sinto sede.
enquanto a
música berra
nos ouvidos,
a fumaça
é aspirada
pelo peito,
sede.

quando menos
esperado,
você voltou
a estampar
na minha cara
esse sorriso
maligno.

doce,
eu quase senti
sua falta.

lili

sábado, 9 de maio de 2009

Thelma, my one and only

e no meio do todo,
em mim ainda vazio,
eu te vi.

ao abrir de uma
porta, o acender
dumas luzes,
estavas sozinha
no escuro.

há tempos não
te via, e pensava
que assim seria,
após o grande
carnaval;

mas fizeste
com que eu
transbordasse,
como o ar que
enche o teu corpo

cortavam-me
o fôlego incessante-
mente,
com o desdém
do falso fabuloso.

queria que todos
ali se
fodessem.
querida, mais uma vez,
(você é certamente um
sinal, eu penso)
me salvou da solidão
de uma rua cheia
demais.

lili

quarta-feira, 6 de maio de 2009

kino

volto a cair na sua cama:
ah, o cheiro desses lençóis
que há tanto não me envolviam,
a dureza dos travesseiros,
(um lembrete do perigo
constante)
e a eterna dúvida do que
acontecerá a seguir.

enquanto o tempo passa
eu caminho lentamente
te observando, ousando
experimentar-te, a passear
por uns fios de cabelo, ah,
sim, me preparando do
jeito que posso pra que
você seja um comigo.

eu ouço falarem de ti,
começo a ruborizar,
as íris brilham, eu,
ah,
mal posso esperar.

lili

terça-feira, 5 de maio de 2009

Ainda inconformada com o declínio dos anos 20 ou Apelo à Gloria G.

palavrinhas diminutas
acentuam a beleza
dos seus gestos fabulosos:

a cabeça reclinada pra
trás numa risada embriagada
(que impregnou o veludo
cinzento do seu vestido),
os cabelos ondulantes
no vento morno que
sibilava sobre o asfalto--

suas bochechas são
feitas de pele tão fina!
não, não feche a boca
novamente, sua idiotinha;
esses lábios voltam a se
curvar pros cantos demasiado
rápido, apodrecendo os
convidados como o
carpete que fede a high balls.

você amou amargamente,
aceitou e sucumbiu à vida
ali te imposta de modos
antes inimagináveis,
ardeu de lágrimas e soube
que as manhãs eram sempre
cálidas ao seu lado:
por que, então, o abandonaste?

lili

domingo, 3 de maio de 2009

uma notinha:

ah!, que novo,
quanta graça
sob essa luz azul,
nessas alamedas
desconhecidas, os
postes acesos e as
caras frescas, muito
frescas, que nem
essa brisa incrível
que já tinha esquecido
como podia ser,
sair por aí, respirar
outro ar e ver
riso em todo canto
desse chão inédito!

lili

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Quando cheguei esqueci de avisar:

bonito é azul e vermelho
-que nem os gringos-
e nós somos meros
espectadores.

lili

sábado, 25 de abril de 2009

'Se não quer ler, podemos apagar as luzes' III

e ainda assim,
eu penso em ti
como um ser
radiante.

...e ando fazendo
bobagens, digamos,
pra tentar me
aproximar
de você.

continuo a fingir
te entender,
mesmo sem
saber por
onde andas,
pintor.

o seu olhar,
o seu alô,
o seu balé:
como me fazem falta!
a ausência fez
de você inteiro
mais adorável que nunca,
meu caro.

lili

'A necessidade de assimetria' I

as suas pintas estão sumindo,
e meus ossos vão ficando rígidos
sem teu olhar.
não sei se ainda ligo.
não sei se te ligo,
disco o número familiar
nunca decorado,
escuto sua voz e espero
alguma reação.

o seu olhar confuso, do
qual não me recordo
como antes, me deixa
cinzenta, você ousa
tirar-me as cores.
não ousa nada. não
pensa
em nada, eu já sabia,
ao menos achava que
sim, mas você é
simplesmente tão
Insólito,
não é mesmo?

lili

"Dentro desse mundo congelado eu posso andar livremente e sem ser notado" II

enquanto você
contempla a outra
direção,
eu lamento
o vazio ao
meu lado.

sei que minha
dança é pobre
e desajeitada,
mas seu castigo
não demandava
tamanha severidade.

o que agora
me resta é transitar
pelas sombras.
o mesmo vale
do filme que ainda
não vi, das músicas
que andava evitando.

há! enganei a
penumbra e pude,
afinal, saber: 
você é um 
Pintor
que não pinta.

lili

quinta-feira, 23 de abril de 2009

curtinho

a corda frouxa
permite que
a mão hesitante
tenha sua chance.

Minto: permite
que o ombro
ansioso aproveite
mais um toque.

lili

terça-feira, 21 de abril de 2009

'A primeira lei é a do insólito!'

são tantos pescoços
explodindo, fundindo-se
pelas ruas de sempre;
mais uns sorrisos,
(talvez uma gargalhada)
confortáveis e calorosos.
o abandono é impassível,
o plástico é amarelo,
as vezes até vermelho,
acolhedor como um
cigarro encontrado na
bolsa logo ao chegar em casa.

o desconexo agrega sentido
enquanto as cabeças se
inclinam pra trás sem
ligar pra chuva ou
outras coisas.

-lili

segunda-feira, 13 de abril de 2009

desastre iminente

Sem cerejas e
chocolate, eu sou
Tão
idiota, mais uma vez.

(Rompem-se os pontos
no estômago, que
ameaça sangrar)

Aqui não é a
estação das tulipas.
Aqui, a primavera
é indiferente
enquanto uma pilha
vaza e se esvazia
de carga.

Praga e Paris continuam
a assombrar-me com
imagens de janelas,
óculos,....

(..nunca pensei em vocês como semelhantes!)

Mas já cantavam em
uníssono a assustadora
previsão "o fim não tem fim".

lili

quarta-feira, 25 de março de 2009

"z é de zilla que bebeu gin demais"

a pele no papel
disse o que o espelho sempre negou
mas não sei quem mente.

lili

terça-feira, 17 de março de 2009

Perdi meus aneis no mar


A pílula presa no quarto
tomado pela distância

Será capaz
,o amor,
Transbordar para os lados?

Que exagero:
O excesso!

Já que meus anéis 
jamais voltarão

Não faço questão 
de envelhecer ao seu lado

Quero apenas chorar
 lágrimas densas
E assim rir

Pelo gosto salgado que chega
à seus lábios.





por anouk

domingo, 15 de março de 2009

'aquele marinheiro quer sua bebida'

e em cada relance enrubescer
à visão de traços inesperados
que a mente estreita jamais
poderia conceber.

na menor das ações sentir
a juventude desajeitada que
se prolonga após seu tempo

em todo passo cuidadoso
perceber nova faceta de
tão perfeita combinação

"ela está nua, mas vestindo
seus tênis. e isso a torna
menos atraente,
não?"

lili

domingo, 8 de março de 2009

"Abril, por que você volta?"

um estranho invade a casa em silêncio:
já esteve ali antes e mais outra vez;
muda as luzes de lugar, vira alguns
quadros de cabeça pra baixo--

se esconde nas sombras e,
em ocasião, abre umas janelas
pra não acumular poeira.

o proprietário às vezes aparenta
nem ligar. as vezes ele só vai
até o porão e se esconde um
pouco, cansado demais pra
qualquer atitude.

o invasor também sente preguiça.
parece que ninguém quer ocupar
de fato tal casa. o assoalho que clama
pra não ser deixado sozinho.

-lili

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

mágica

na caixa há sete furos,
alguns pelos lados e
um que a atravessa
pelo meio.
as espadas passam
de canto a canto
ferindo a assistente
do mágico que, por fim,
emerge pelas portas
sem um arranhão sequer.

em confinamento, entretanto,
permanecem
(mortas)
as suas entranhas.

-lili

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

afinal, por que não?

já cantavam os
ingleses: "preferia ter
manchas de batom
no colarinho ao
invés de marcas
de mijo no
sapato."

braços e pernas
e copos e meu pé
enroscado em um
pescoço--

os espaços se
fundem e de
modo contorcio-
nista eu os sinto
dissolvidos em
um só.

todo o plástico
amarelo fica
confuso, ferindo
meu olhar.

talvez eu tire sorte do azar
ou, quem sabe, talvez eu até
mude.

lili

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

na varanda

nem lembrava mais como era
o sol no meu olho:
as árvores brilham verdes-
as piscinas estão cheias,
mas nenhuma ocupada-
uma vizinha briga com a filha-
um homem passeia com o cão--

-lili

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

poema para o breves

(peço desculpas adiantadas pela pobre qualidade do que segue)

atrás das colinas verdes,
de braços curtos e barba ruiva,
morava Alberich na maior
casa do vilarejo, onde os
olhos azuis de sua Freya
pairavam muitos centímetros
acima dos seus.

do meio das longas pernas
de sua longa esposa, vieram
longos filhos que acalmavam
seu pequeno coração. uma
noite despreocupada de amor,
entretanto, fez surgir seu
maior temor - um
menino indesejado
tão pequenino
quanto ele mesmo.

os anos continuaram
a aumentar, a altura
estagnou, seu desgosto
dominou a convivência;
como ensinar a solidão
do anão a tão jovem
soldado?

com bravura, no entanto
assumiu seu papel: como
duas moedas do mesmo
pote de ouro, o fardo de um
é o peso do outro; enfrentando
então sua dura missão,
Alberich, grande pai
aprendeu a lição
de que ser diferente era
ganho também e Dvalin,
o júnior, soube como ninguém
sobre a vida esforçada
de todo anão e que o mundo
é duro quando perto do chão.

as décadas voam e a grama
sorri por trás das verdes colinas:
na vila já se tem um punhado
de casas altas como a que cresceu--
Dvalin trouxe revolução e paz
para o povo do nanismo
e com o martelo de raios,
concedido por Thor,
demonstrou ao seu mundo
que altura diminuta não
se proporciona igual
à importância;
valiosos valores ensinou-lhe
seu pai que, de coragem honesta,
apontou simples fato:
pra construir boa vida, não
é preciso ser alto.

lili

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

à lili, com amor, sempre.

como andou sendo dito em alguns comentarios, preciso me impor:
eu nunca deixei de escrever aqui.

A lili que é uma maquina de poemas
o incrível é que nao é uma simples maquina de poemas,
é uma maquina de bons achados.

que eu invejo

no bom sentido.

Não faz sentido eu escrever aqui agora,
mas o tédio é tamanho que pela primeira vez não estou fazendo um rascunho antes.
Liguei o foda-se, sem querer ser grosseira.
Nem achado, muito menos perdido,
apenas escrito


Tambem, porque escrever rascunho (?),
se nao vou te mostrar na area fumante
do shopping da gavea?

como eu vou escrever alguma coisa sem as aulas do sergio cabo pra me inspirar?

Me cansei da incerteza dessas ferias que eu nao sei quando terminam.

me da medo nao saber que em baixo de nossos pés
existem pessoas conhecidas e queridas, aos nossos lados ou na cantina.
me da medo tudo isso

nao saber escolher me da medo, decidir.

e o medo da distancia, é claro,
sempre me persegue.

preciso que voce me diga que eu preciso de analista.
porque eu sou uma como qualquer outra,
e sempre é bom.

Mas será sempre bom?
eu preciso saber se será sempre bom.

eu diria a uma analista que eu sonho, toda noite.
e que eu tenho acordado assustada sem saber do meu sonho.
e o nao saber assusta, muito mais do que acordar.

e o que ela me diria?
o que ela pode dizer de um sonho esquecido?
de que adianta os fatos se não ha memoria?
sem testemunha.

a camisa do tunico é sem cor, certo?
ele é dautonico.

e o meu sonho, da onde vem?

sábado, 17 de janeiro de 2009

ode a chica

essas mãozinhas
mergulhadas na
neve me atrapalham
de jeito gracioso;
e entre mordidas e
olhares maldosos,
você é tão macia que
eu aprendi a não ligar.
o seu rabo balança em
sinal de desafeto, mas
também sou filha e te
entendo, gata. admito
que já pensei em cortar
seus bigodes pela diversão
de te ver desorientada:
já passou. no final das
contas, a sua raiva e olhar
errático me fazem pensar
que é mesmo minha filha.

lili

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

'o caminho pra bonito..'

minhas mãos
apodrecem
com o progredir da paisagem,
enquanto eu me distraio com o som
de violinos e sintetizadores. assim
como ontem, e os próximos dias,
a minha conexão com o mundo
real consiste em fumaça e escuro.
no banco de trás do carro parece
que não se cresce, e as lembranças
das viagens antigas se misturam
com o agora e me mergulham em
desespero passivo, amenizado
nas vozes que saem do fone de ouvido.

o silêncio dos outros, dentro dos pensamentos de
fatos irreais e desejos
cretinos que causam esboços
de sorrisos, as árvores se movem
como eu me movo pelos tímpanos.
e, como que de propósito, sempre que
tiro meus óculos a paisagem me dá sono.

os sorrisos dos locais
me dão ânsia de choro.
os donos de bar, os padeiros,
o policial na rodoviária, eu quero
que eles fujam pra algo maior, além
da estrada e dos mosquitos. as suas
vidas me agonizam, mas mais ainda
suas alegrias ilógicas. o excesso de
cuidado e carinho me repelem com horror,
nessa mente dura e suja
de filmes de terror hollywoodianos.
eu quero ciganos, música, sujeira,
ódio, barulho, caos. quero voltar
ao meu elemento; não posso,
então me prendo a um pacote
de pizza velha e fria e um maço pela metade.

essa prisão tem umidificador
de ar e doce de leite, mas
as histórias do filho em hamburgo
me trazem brilho nos olhos e
uma coceira de pular num avião
e ir também. um aeroporto cheio
de concreto e uniformes e aeromoças
e carros e vozes modernas.

e no meio do pântano, dos belos pássaros,
alguém fala sobre contemplação pessoal
no mato. que belo, penso eu, que triste, eu sei,
que vejo mais poesia num bloco de concreto
do que em qualquer árvore.
tudo é realmente adorável mas
a apatia incontrolável me dá um prazer nojento.
foi tamanha que nem os insetos ligaram
pra mim - eu cantarolava e apenas o cão
me ouvia- "time takes a cigarrette, puts it in your mouth..."
o guia me agradava; me agradava também (e mais ainda)
o seu desejo de ver o Rio. de ver o mar
que eu tanto negligencio passando o tempo numa cama
vendo filmes na tevê e procurando algo pra passar
o tempo até que seja tempo de sair.
percebo que a lua aqui é a mesma que eu vejo
de casa, e que passarinhos também pousam
na minha varanda - lá, entretanto, eu posso fumar em paz.

lili (já perto do rio e feliz)

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Ano novo

Primeiros dias
Desesperadores
Pressão_ preciona-me
[Haja preciosidade]

Nervossismo esse
Quase inconsciente
Em conjunto
Em todos.

Esperança
De que?
Realizações tardias
ainda são satisfatórias?

É apenas outro dia
Apenas Mais um dia
A ser vivido

Sofrido
E amado.

E pronto,
Ponto.

Nosso castigo
,por ter vida,
É acordar todos os dias
e ter a mesma cara

[mesmo rosto, e rastro]

No espelho
que cisma em estar
junto a pia.

Hoje me deparo:
Um rosto diferente!
Devo estar apenas
um pouco mais



cansado.




por anouk