quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

mágica

na caixa há sete furos,
alguns pelos lados e
um que a atravessa
pelo meio.
as espadas passam
de canto a canto
ferindo a assistente
do mágico que, por fim,
emerge pelas portas
sem um arranhão sequer.

em confinamento, entretanto,
permanecem
(mortas)
as suas entranhas.

-lili

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

afinal, por que não?

já cantavam os
ingleses: "preferia ter
manchas de batom
no colarinho ao
invés de marcas
de mijo no
sapato."

braços e pernas
e copos e meu pé
enroscado em um
pescoço--

os espaços se
fundem e de
modo contorcio-
nista eu os sinto
dissolvidos em
um só.

todo o plástico
amarelo fica
confuso, ferindo
meu olhar.

talvez eu tire sorte do azar
ou, quem sabe, talvez eu até
mude.

lili

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

na varanda

nem lembrava mais como era
o sol no meu olho:
as árvores brilham verdes-
as piscinas estão cheias,
mas nenhuma ocupada-
uma vizinha briga com a filha-
um homem passeia com o cão--

-lili

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

poema para o breves

(peço desculpas adiantadas pela pobre qualidade do que segue)

atrás das colinas verdes,
de braços curtos e barba ruiva,
morava Alberich na maior
casa do vilarejo, onde os
olhos azuis de sua Freya
pairavam muitos centímetros
acima dos seus.

do meio das longas pernas
de sua longa esposa, vieram
longos filhos que acalmavam
seu pequeno coração. uma
noite despreocupada de amor,
entretanto, fez surgir seu
maior temor - um
menino indesejado
tão pequenino
quanto ele mesmo.

os anos continuaram
a aumentar, a altura
estagnou, seu desgosto
dominou a convivência;
como ensinar a solidão
do anão a tão jovem
soldado?

com bravura, no entanto
assumiu seu papel: como
duas moedas do mesmo
pote de ouro, o fardo de um
é o peso do outro; enfrentando
então sua dura missão,
Alberich, grande pai
aprendeu a lição
de que ser diferente era
ganho também e Dvalin,
o júnior, soube como ninguém
sobre a vida esforçada
de todo anão e que o mundo
é duro quando perto do chão.

as décadas voam e a grama
sorri por trás das verdes colinas:
na vila já se tem um punhado
de casas altas como a que cresceu--
Dvalin trouxe revolução e paz
para o povo do nanismo
e com o martelo de raios,
concedido por Thor,
demonstrou ao seu mundo
que altura diminuta não
se proporciona igual
à importância;
valiosos valores ensinou-lhe
seu pai que, de coragem honesta,
apontou simples fato:
pra construir boa vida, não
é preciso ser alto.

lili

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

à lili, com amor, sempre.

como andou sendo dito em alguns comentarios, preciso me impor:
eu nunca deixei de escrever aqui.

A lili que é uma maquina de poemas
o incrível é que nao é uma simples maquina de poemas,
é uma maquina de bons achados.

que eu invejo

no bom sentido.

Não faz sentido eu escrever aqui agora,
mas o tédio é tamanho que pela primeira vez não estou fazendo um rascunho antes.
Liguei o foda-se, sem querer ser grosseira.
Nem achado, muito menos perdido,
apenas escrito


Tambem, porque escrever rascunho (?),
se nao vou te mostrar na area fumante
do shopping da gavea?

como eu vou escrever alguma coisa sem as aulas do sergio cabo pra me inspirar?

Me cansei da incerteza dessas ferias que eu nao sei quando terminam.

me da medo nao saber que em baixo de nossos pés
existem pessoas conhecidas e queridas, aos nossos lados ou na cantina.
me da medo tudo isso

nao saber escolher me da medo, decidir.

e o medo da distancia, é claro,
sempre me persegue.

preciso que voce me diga que eu preciso de analista.
porque eu sou uma como qualquer outra,
e sempre é bom.

Mas será sempre bom?
eu preciso saber se será sempre bom.

eu diria a uma analista que eu sonho, toda noite.
e que eu tenho acordado assustada sem saber do meu sonho.
e o nao saber assusta, muito mais do que acordar.

e o que ela me diria?
o que ela pode dizer de um sonho esquecido?
de que adianta os fatos se não ha memoria?
sem testemunha.

a camisa do tunico é sem cor, certo?
ele é dautonico.

e o meu sonho, da onde vem?

sábado, 17 de janeiro de 2009

ode a chica

essas mãozinhas
mergulhadas na
neve me atrapalham
de jeito gracioso;
e entre mordidas e
olhares maldosos,
você é tão macia que
eu aprendi a não ligar.
o seu rabo balança em
sinal de desafeto, mas
também sou filha e te
entendo, gata. admito
que já pensei em cortar
seus bigodes pela diversão
de te ver desorientada:
já passou. no final das
contas, a sua raiva e olhar
errático me fazem pensar
que é mesmo minha filha.

lili

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

'o caminho pra bonito..'

minhas mãos
apodrecem
com o progredir da paisagem,
enquanto eu me distraio com o som
de violinos e sintetizadores. assim
como ontem, e os próximos dias,
a minha conexão com o mundo
real consiste em fumaça e escuro.
no banco de trás do carro parece
que não se cresce, e as lembranças
das viagens antigas se misturam
com o agora e me mergulham em
desespero passivo, amenizado
nas vozes que saem do fone de ouvido.

o silêncio dos outros, dentro dos pensamentos de
fatos irreais e desejos
cretinos que causam esboços
de sorrisos, as árvores se movem
como eu me movo pelos tímpanos.
e, como que de propósito, sempre que
tiro meus óculos a paisagem me dá sono.

os sorrisos dos locais
me dão ânsia de choro.
os donos de bar, os padeiros,
o policial na rodoviária, eu quero
que eles fujam pra algo maior, além
da estrada e dos mosquitos. as suas
vidas me agonizam, mas mais ainda
suas alegrias ilógicas. o excesso de
cuidado e carinho me repelem com horror,
nessa mente dura e suja
de filmes de terror hollywoodianos.
eu quero ciganos, música, sujeira,
ódio, barulho, caos. quero voltar
ao meu elemento; não posso,
então me prendo a um pacote
de pizza velha e fria e um maço pela metade.

essa prisão tem umidificador
de ar e doce de leite, mas
as histórias do filho em hamburgo
me trazem brilho nos olhos e
uma coceira de pular num avião
e ir também. um aeroporto cheio
de concreto e uniformes e aeromoças
e carros e vozes modernas.

e no meio do pântano, dos belos pássaros,
alguém fala sobre contemplação pessoal
no mato. que belo, penso eu, que triste, eu sei,
que vejo mais poesia num bloco de concreto
do que em qualquer árvore.
tudo é realmente adorável mas
a apatia incontrolável me dá um prazer nojento.
foi tamanha que nem os insetos ligaram
pra mim - eu cantarolava e apenas o cão
me ouvia- "time takes a cigarrette, puts it in your mouth..."
o guia me agradava; me agradava também (e mais ainda)
o seu desejo de ver o Rio. de ver o mar
que eu tanto negligencio passando o tempo numa cama
vendo filmes na tevê e procurando algo pra passar
o tempo até que seja tempo de sair.
percebo que a lua aqui é a mesma que eu vejo
de casa, e que passarinhos também pousam
na minha varanda - lá, entretanto, eu posso fumar em paz.

lili (já perto do rio e feliz)

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Ano novo

Primeiros dias
Desesperadores
Pressão_ preciona-me
[Haja preciosidade]

Nervossismo esse
Quase inconsciente
Em conjunto
Em todos.

Esperança
De que?
Realizações tardias
ainda são satisfatórias?

É apenas outro dia
Apenas Mais um dia
A ser vivido

Sofrido
E amado.

E pronto,
Ponto.

Nosso castigo
,por ter vida,
É acordar todos os dias
e ter a mesma cara

[mesmo rosto, e rastro]

No espelho
que cisma em estar
junto a pia.

Hoje me deparo:
Um rosto diferente!
Devo estar apenas
um pouco mais



cansado.




por anouk

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

acontece

as pernas saindo
da pedra juntando
com as heras subin-
do a janela aberta
já esperando de
flores brancas e
cortina escancarada
mas o calcanhar
ficou preso e a
julieta ficou sem romeu.

lili

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

rosamond

[rosamond]
não enxergava por debaixo da franja.
seus gatos, entretanto, enxergavam
muito bem debaixo do seu vestido.

quatro pares de olhos amarelos
reluzindo diante daquela palidez
que um vestidinho azul mascarava
(na verdade, realçava, mas ela fingia não saber)

lili

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

"não mais que uma dúzia de mesas e um cliente que não gosta de falar"

(e, do mesmo modo
que um balão se esvazia,
as obrigações desapare-
cem e então eu crio novas,
forjando objetivos maiores,
suplicando por um qualquer.)

[lili]

domingo, 16 de novembro de 2008

'não essas turbulentas mãos torcidas, esse telhado escuro sem estrela"

como uma raquete de tênis ou um
vidro quebrado, eu brado e quebro
e peço por pés e acabo pisando em
agulhas.
só fogo saindo da boca e fumaça
pelos ouvidos, eu grito e
choro e
choro.

-lili

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Na mesa com medievais

Bando de
Bárbaros
de rosto liso:

Batendo martelos na
madeira, vestidos de
preto-da-lei,
brincando de ser
adulto, perdendo a
juventude.

Tão tolos quanto
sempre, com medo
de se cortar, sem
coragem para o sangue,
buscam refúgio nas coisas
"concretas"

Não vêem que é tudo
fumaça-e-espelhos
(e que a Noite ilumina as portas)

por lili

sábado, 1 de novembro de 2008

reflexões de meio de tarde

sem fôlego,
umas flores rosas eram borboletas
no vento
e as montanhas diminuíam à visão
das pessoas se divertindo
em piscinas
e hotéis.

na minha varanda só há plantas
cadeiras e
chão;
não me divirto tanto assim quando é sol.

-lili

terça-feira, 28 de outubro de 2008

para trás

Orgasmo se dissolve
em maresia.

De Ilhéus restou-me
apenas o porto
Algodão:
Tecido no coro.

Mas o chocolate,
ah,
o chocolate.
Era daqueles
de
derreter na boca.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

jesuítas

tão magra
aquelas calças, largas demais
o cabelo era verde e laranja
e chingavam "palito"
pelos corredores.

continua vagando e observando o sol de verão
entrando pelas varandas
e se sentindo
um absoluto
lixo.

por lili

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Querida

Os meus desenhos
no teto da sua
cama me comovem,
assim como o colar
e o cartão que ficam
na estante branca.
Fazes das maiores
banalidades um amor
imenso. Você é com-
pletamente memorável.

por lili
(para clara)

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

a solidão em convés ilegal

Barulho notável
Em pausa,
em pauta:
Silênciosa.

Nenhum anel para
musicar ao toque
daquelas grandes moedas de ouro.

Titubeio no ar,
não há valor.
Mas também, não há necessidade

Apenas do anel,
para meus ouvidos inférteis
se banharem
Em sinfonia metálica.


por anouk

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Uma carinha emburrada

Mau humor absoluto
Sonoplastias violentas
Me perseguem, impiedosamente
"Ai!", Ach, gritinhos de dor,
De insatisfação. Só mimo,
Dizem: que se fodam.
Que sumam todos diante
Da minha mediocridade.
Um gole nunca foi suficiente
Pra calar o mundo, mas
Vários certamente
Realizam o truque.
Pá! As autoridades ainda
Fogem da seriedade e
Me enervam com o furor
De um mauricinho rejeitado.

por lili

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Francisca-clichê


As garras regozijam
diante de ti, brincalhonas:
Arranhando, puxando, mordendo
Talvez beijando também.

E inicia-se o desmantelamento.
O fio rola, você
desenrola, os fiapos saltam
para flutuar nos cantos empoeirados--

"...o novelozinho caiu."

-lili

Gaveta Aberta

Passos largos sobre o chão de parquet:
Nunca estiveste tão bela e rosada,
carregando caixas pesadas em teus braços,
frágeis e delicados como a flor da lapela.

Envolvidas em plástico, deitadas
perto das janelas que chegam ao piso,
- Deixe as cortinas pra depois...
(Já que a paisagem não nos invade)

- Vamos à varanda, não está frio demais
para filar um cigarro nesse fim de tarde
ligeiramente cinzento; Ainda é muito bonito
aqui, por sua boca ser o destino da minha fumaça.

por lili

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Respiração por combustão

A molécula de oxigênio
De uma só vez é quebrada
então,
Uma enorme labareda
Levanta o vôo fenixiano

Tão alto
pássaro belo voa
que o fogo,
(maior gerador de vôo)
Como mais leve elemento natural
Se vê em lugar de limite

Então as cinzas caem,
Como a gravidade
E de tudo isso
que surgem,
os pombos mortos,
esmagados no asfalto.

conclui-se: Pombos nada mais são que fenix queimadas.





por anouk

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Bem Capaz

A valsa continua
no passo dos seus
goles na champagne.

Sentado numa mesa
fazendo bico, franzin-
do a testa; pedindo
amor de longe da
pista. Fatalmente
iria demorar, doce.

Mas seu drinque
virou uísque e seu
bico virou dentes.
Salva pelo gongo
do final da música,
pra ti eu corro com
abraços, beijinhos;

e nem ligo para o
bafo de puro-malte
com gelo e amargu-
ra pessoal: Te amo!


por lili

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Me Vestiam de Branca-de-Neve quando eu era Vandinha

O mórbido não é o abismo; O mórbido é a liberdade!
Não é escuro, não é a morte - é espuma dissipada no ar em forma de névoa, me faz etérea, permite que eu flutue sentindo as partículas do universo entrando nos poros.
Céu cinza, muita bondade.
Lago negro reflete o que você é:
Narciso Pessimista.
...Surge uma tulipa negra (e um campo de papoulas sangrentas-- saiotas!)
As pupilas dilatando até o olho inteiro estar como o ébano, absorvendo toda a luz do mundo.
Foi assim que Kafka viveu, e foi por isso que cedo morreu.

por lili

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Aquele pouco de nada

O pano listrado
que envolve meu pescoço,
não está ali para me aquecer

Apesar de fazê-lo.

Porque não puxa logo,
Pela ponta,
E acaba de uma vez essa volta?

Volta logo.

A regressão é dolorosa,
porém,
Aos poucos e levemente,
Involuntariamente [!]
Meu pé em ponta,
sobe minha perna,

Então aquele simples giro,
visando a volta,
torna-se eterna pirueta.


Bravo.






por anouk

Índios

Até o amor Alheio
me é sufocante.

Cores,
Flores,
Corações,
Poemas,
Sorrisos.

essas cores, essas
cores são como facas!

No meu
Livro de
Amor
Terá
Sangue

E moedas brilhantes, e
pés esquerdos e torturas macias.

...é o Amor que me foi apresentado!

por lili

sábado, 30 de agosto de 2008

Um passeio pela praia carioca.

Os pelos do Norte
não parecem atuar sobre mim.
Me falta calor.
Ou falta o frio,
para a vontade de me aquecer.

A imagem treme entre os carros,
a praia ao lado já não me atrai.

Tantos macacos lutando
por um pedaço de terra...

Ou tantas formigas, todas juntas,
trabalhando para o cancêr de pele.

Individualistas de merda.

Prefiro a pele branca,
da minha amiga Lili.

O cheiro de maresia, porém,
é quase orgásmico!
como aqueles dedos de salada
(oh, que dedos...)

Entretanto, tal aroma se dissipa
entre o suar de altinhas.
E caminhando ao lado de Iemanjá
Levo uma bolada na cara

E o candomblé perde todo o seu charme.

Sinto falta de Ilhéus:
Vesúvio de canela
E nosso caro Jorge, amado.
Transbordando por cada janela!
Iemanjá, Janaina, ou simples Maria,
Lívia sozinha.
Ensinamentos profundos

Que rolam na bola da altinha
E se perdem
No peitoral suado, de isac-garanhão.



por anouk

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Estocolmo

Foi passivo e lento,
Nazista!
Atormentou-me por anos
a fio, a esmo

Fizeste um porão escuro no carro
e nas viagens e cachoeiras -
O inferno foi morno;
"O frio é ilusão da matéria."

Eras um belo monumento,
Alta e Austríaca, a mão na enxada
(um Jaleco, uma Pauta)
e o sorriso Conquistador: Oportuno

Deu-me gosto pelas correntes
e chicotes de penitência gratuita
Que agora, sintomática,
aplico a mim mesma sem auxílio.

por lili

Fancha

Campo de papoulas inundado
pelo mar cinza de todas as cores.
Suas ondas violentas, tempestuosas
Azul escuro arrasador.

Bocado de flores, redemoinho:
Explosões desconexas!
Porções de vida no branco tecido
com furinhos metálicos; Covinhas!

São meras raízes
da árvore ruiva
de madeira rosa-escuro.

por lili

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Repulsa

Vem como mãos nas paredes,
pelas sombras, desajeitadas e
asquerosas, puxando o braço
Tic-tac Tic-tac Tic-tac

Cabelo amontoando na pia
Corta, morre, molha-
Me encara! Como um
assado de coelho apodrecido.

Há um ronronar no meu pé--
E a angústia, como uma mão
puxando-me agora pelas canelas,
me faz cair com a cara no chão.

por lili

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

"Os dias se passam como marinheiros..e os anos chegam como portos"

Essa queimadura
no tornozelo
não é memorável,
crê-se

(Sopra um assobio
pela tampa
de uma caneta)

A ferida é
atiçada pelo
toque;
Descascada-

Como as paredes
da velha
casa.

Venta um grito
do bule de café
ali,
no fogão

Mas não alerta
sobre a brasa
voando na pele.

por lili

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

as mariposas ficam confusas

o click da câmera, o
click da boca, o click
da fogueira, o click do
abajour sendo aceso

"Pour la France!",
ela grita
dentro do seu corte chanel
preto com franjas pesadas

Valentina está sempre
nua
por trás das câmeras,
tirando os cílios falsos.

por lili

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Urna

(eu) Choro cinzas
Pó até minha boca.
Descomandado
Me olho:
Nem morte,
nem vida
Nem mesmo cinza.
Incolor
Um pote de tinta
Meu olho seco
Vazio, e só.





por anouk

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

"E no momento pequena senti alguma morte"

a fumaça alivia a água dos pulmões,
mais uma vez se afogando.
ainda é dia, ainda é dia, e só um;
um atrás do outro.

apreensão, vá embora:
não é querida por aqui.

as veias pulsam enquanto
esse sangue aflito corre
E me mata, digamos,
de desgosto, nem tristeza

mas nervoso.


por lili

domingo, 3 de agosto de 2008

...

minhas maos tremem no mouse.
me mostre alguma beleza.

o que eu vejo pela tela simplesmente não é. Não conhece o verbo ser.

Aos poucos começo a desconhecer.
As pessoas esperam que eu tenha conhecimento,
e ele se vai conforme as vivências

Porque querem que eu conheça?
o conhecimento se passa até que me prendam em um caixão
a beleza que sobrevive vai além disso tudo


Eu só quero poder enxergar isso.

" A nossa fraca mente esconde-nos o infinito"





por anouk

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

mais do que todas as baleias do mundo multiplicadas por infinitas baleias

parece que quase todo esse amor vive preso, protegido dentro
de um grande caixote de vidro.
que por mais q me esforce; grite, chore, pule, beije,
perca todo o meu folego, recupere, perca,ciclicamente,
nunca conseguirei soltar todo esse amor. o caixote chega a rachar.
preciso de ar, mais uma vez. o pouco que se espalha ja extasia. mas eh o nada do muito.
o tal amor eh em parte encaixotado por um simples motivo: ele eh maior e mais forte
que qualquer ideia, ser ou coisa; seria impossivel suporta-lo.
mas no fim das contas, o caixote faz dele algo inesgotavel.imortal.

por manu.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

orbitando a siciliano

Estou em uma livraria esperando o tempo passar.
Tentando absorver a arte estampada em páginas de livros fechados. Não ouso abri-los

Não faço idéia do motivo disso.

Me deparo com títulos, um me chama a atenção:
" O mundo é o que você come "
Será que ando comendo pouco, ou será que como a coisa errada?
Meu mundo é um nada se comparado ao conjunto de todos os mundos. Ou meu mundo será demais? Tanto que não influência nenhum outro.
Meu mundo gira em torno de livros fechados.
Preciso de um estímulo para abri-los. A curiosidade, talvez.
Tarde demais; O tempo esperado passou e já é hora de mudar de roupa.




por anouk

domingo, 27 de julho de 2008

quatro da tarde em uma casa vazia


Uma mesa na varanda,
duas taças na metade:
uva e sangue
Os biscoitos já queimados
O glacê não escondeu 
a realidade
Mas as compras matinais
(o punhado de keep coolers)
compensaram e alegraram
a tarde quase vazia

***

4 da tarde,
São 4 da tarde 
vida alheia 
e Keep Cooler
nunca estive mais cool
vida alheia
me persegue,
um vício!
Que cool,
Vazio.
Uma gata
pelo por toda a parte
e biscoitos queimados
ganham fungos 
após  o forno
param no tempo: diminuindo.



por lili e anouk

quarta-feira, 23 de julho de 2008

O Processo

O que houve esta noite
e na passada?
Estou cheia de fadiga.
Aquela dor no estômago golpeado
mascarada de fome indevida
Que madrugada!

por lili