as pernas saindo
da pedra juntando
com as heras subin-
do a janela aberta
já esperando de
flores brancas e
cortina escancarada
mas o calcanhar
ficou preso e a
julieta ficou sem romeu.
lili
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
rosamond
[rosamond]
não enxergava por debaixo da franja.
seus gatos, entretanto, enxergavam
muito bem debaixo do seu vestido.
quatro pares de olhos amarelos
reluzindo diante daquela palidez
que um vestidinho azul mascarava
(na verdade, realçava, mas ela fingia não saber)
lili
não enxergava por debaixo da franja.
seus gatos, entretanto, enxergavam
muito bem debaixo do seu vestido.
quatro pares de olhos amarelos
reluzindo diante daquela palidez
que um vestidinho azul mascarava
(na verdade, realçava, mas ela fingia não saber)
lili
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
"não mais que uma dúzia de mesas e um cliente que não gosta de falar"
(e, do mesmo modo
que um balão se esvazia,
as obrigações desapare-
cem e então eu crio novas,
forjando objetivos maiores,
suplicando por um qualquer.)
[lili]
domingo, 16 de novembro de 2008
'não essas turbulentas mãos torcidas, esse telhado escuro sem estrela"
como uma raquete de tênis ou um
vidro quebrado, eu brado e quebro
e peço por pés e acabo pisando em
agulhas.
só fogo saindo da boca e fumaça
pelos ouvidos, eu grito e
choro e
choro.
-lili
vidro quebrado, eu brado e quebro
e peço por pés e acabo pisando em
agulhas.
só fogo saindo da boca e fumaça
pelos ouvidos, eu grito e
choro e
choro.
-lili
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
Na mesa com medievais
Bando de
Bárbaros
de rosto liso:
Batendo martelos na
madeira, vestidos de
preto-da-lei,
brincando de ser
adulto, perdendo a
juventude.
Tão tolos quanto
sempre, com medo
de se cortar, sem
coragem para o sangue,
buscam refúgio nas coisas
"concretas"
Não vêem que é tudo
fumaça-e-espelhos
(e que a Noite ilumina as portas)
por lili
Bárbaros
de rosto liso:
Batendo martelos na
madeira, vestidos de
preto-da-lei,
brincando de ser
adulto, perdendo a
juventude.
Tão tolos quanto
sempre, com medo
de se cortar, sem
coragem para o sangue,
buscam refúgio nas coisas
"concretas"
Não vêem que é tudo
fumaça-e-espelhos
(e que a Noite ilumina as portas)
por lili
sábado, 1 de novembro de 2008
reflexões de meio de tarde
sem fôlego,
umas flores rosas eram borboletas
no vento
e as montanhas diminuíam à visão
das pessoas se divertindo
em piscinas
e hotéis.
na minha varanda só há plantas
cadeiras e
chão;
não me divirto tanto assim quando é sol.
-lili
umas flores rosas eram borboletas
no vento
e as montanhas diminuíam à visão
das pessoas se divertindo
em piscinas
e hotéis.
na minha varanda só há plantas
cadeiras e
chão;
não me divirto tanto assim quando é sol.
-lili
terça-feira, 28 de outubro de 2008
para trás
Orgasmo se dissolve
em maresia.
De Ilhéus restou-me
apenas o porto
Algodão:
Tecido no coro.
Mas o chocolate,
ah,
o chocolate.
Era daqueles
de
derreter na boca.
em maresia.
De Ilhéus restou-me
apenas o porto
Algodão:
Tecido no coro.
Mas o chocolate,
ah,
o chocolate.
Era daqueles
de
derreter na boca.
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
jesuítas
tão magra
aquelas calças, largas demais
o cabelo era verde e laranja
e chingavam "palito"
pelos corredores.
continua vagando e observando o sol de verão
entrando pelas varandas
e se sentindo
um absoluto
lixo.
por lili
aquelas calças, largas demais
o cabelo era verde e laranja
e chingavam "palito"
pelos corredores.
continua vagando e observando o sol de verão
entrando pelas varandas
e se sentindo
um absoluto
lixo.
por lili
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Querida
Os meus desenhos
no teto da sua
cama me comovem,
assim como o colar
e o cartão que ficam
na estante branca.
Fazes das maiores
banalidades um amor
imenso. Você é com-
pletamente memorável.
por lili
(para clara)
no teto da sua
cama me comovem,
assim como o colar
e o cartão que ficam
na estante branca.
Fazes das maiores
banalidades um amor
imenso. Você é com-
pletamente memorável.
por lili
(para clara)
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
a solidão em convés ilegal
Barulho notável
Em pausa,
em pauta:
Silênciosa.
Nenhum anel para
musicar ao toque
daquelas grandes moedas de ouro.
Titubeio no ar,
não há valor.
Mas também, não há necessidade
Apenas do anel,
para meus ouvidos inférteis
se banharem
Em sinfonia metálica.
por anouk
Em pausa,
em pauta:
Silênciosa.
Nenhum anel para
musicar ao toque
daquelas grandes moedas de ouro.
Titubeio no ar,
não há valor.
Mas também, não há necessidade
Apenas do anel,
para meus ouvidos inférteis
se banharem
Em sinfonia metálica.
por anouk
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Uma carinha emburrada
Mau humor absoluto
Sonoplastias violentas
Me perseguem, impiedosamente
"Ai!", Ach, gritinhos de dor,
De insatisfação. Só mimo,
Dizem: que se fodam.
Que sumam todos diante
Da minha mediocridade.
Um gole nunca foi suficiente
Pra calar o mundo, mas
Vários certamente
Realizam o truque.
Pá! As autoridades ainda
Fogem da seriedade e
Me enervam com o furor
De um mauricinho rejeitado.
por lili
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Francisca-clichê
Gaveta Aberta
Passos largos sobre o chão de parquet:
Nunca estiveste tão bela e rosada,
carregando caixas pesadas em teus braços,
frágeis e delicados como a flor da lapela.
Envolvidas em plástico, deitadas
perto das janelas que chegam ao piso,
- Deixe as cortinas pra depois...
(Já que a paisagem não nos invade)
- Vamos à varanda, não está frio demais
para filar um cigarro nesse fim de tarde
ligeiramente cinzento; Ainda é muito bonito
aqui, por sua boca ser o destino da minha fumaça.
Nunca estiveste tão bela e rosada,
carregando caixas pesadas em teus braços,
frágeis e delicados como a flor da lapela.
Envolvidas em plástico, deitadas
perto das janelas que chegam ao piso,
- Deixe as cortinas pra depois...
(Já que a paisagem não nos invade)
- Vamos à varanda, não está frio demais
para filar um cigarro nesse fim de tarde
ligeiramente cinzento; Ainda é muito bonito
aqui, por sua boca ser o destino da minha fumaça.
por lili
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Respiração por combustão
A molécula de oxigênio
De uma só vez é quebrada
então,
Uma enorme labareda
Levanta o vôo fenixiano
Tão alto
pássaro belo voa
que o fogo,
(maior gerador de vôo)
Como mais leve elemento natural
Se vê em lugar de limite
Então as cinzas caem,
Como a gravidade
E de tudo isso
que surgem,
os pombos mortos,
esmagados no asfalto.
conclui-se: Pombos nada mais são que fenix queimadas.
por anouk
De uma só vez é quebrada
então,
Uma enorme labareda
Levanta o vôo fenixiano
Tão alto
pássaro belo voa
que o fogo,
(maior gerador de vôo)
Como mais leve elemento natural
Se vê em lugar de limite
Então as cinzas caem,
Como a gravidade
E de tudo isso
que surgem,
os pombos mortos,
esmagados no asfalto.
conclui-se: Pombos nada mais são que fenix queimadas.
por anouk
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Bem Capaz
A valsa continua
no passo dos seus
goles na champagne.
Sentado numa mesa
fazendo bico, franzin-
do a testa; pedindo
amor de longe da
pista. Fatalmente
iria demorar, doce.
Mas seu drinque
virou uísque e seu
bico virou dentes.
Salva pelo gongo
do final da música,
pra ti eu corro com
abraços, beijinhos;
e nem ligo para o
bafo de puro-malte
com gelo e amargu-
ra pessoal: Te amo!
por lili
no passo dos seus
goles na champagne.
Sentado numa mesa
fazendo bico, franzin-
do a testa; pedindo
amor de longe da
pista. Fatalmente
iria demorar, doce.
Mas seu drinque
virou uísque e seu
bico virou dentes.
Salva pelo gongo
do final da música,
pra ti eu corro com
abraços, beijinhos;
e nem ligo para o
bafo de puro-malte
com gelo e amargu-
ra pessoal: Te amo!
por lili
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
Me Vestiam de Branca-de-Neve quando eu era Vandinha
O mórbido não é o abismo; O mórbido é a liberdade!
Não é escuro, não é a morte - é espuma dissipada no ar em forma de névoa, me faz etérea, permite que eu flutue sentindo as partículas do universo entrando nos poros.
Céu cinza, muita bondade.
Lago negro reflete o que você é:
Narciso Pessimista.
...Surge uma tulipa negra (e um campo de papoulas sangrentas-- saiotas!)
As pupilas dilatando até o olho inteiro estar como o ébano, absorvendo toda a luz do mundo.
Foi assim que Kafka viveu, e foi por isso que cedo morreu.
por lili
Não é escuro, não é a morte - é espuma dissipada no ar em forma de névoa, me faz etérea, permite que eu flutue sentindo as partículas do universo entrando nos poros.
Céu cinza, muita bondade.
Lago negro reflete o que você é:
Narciso Pessimista.
...Surge uma tulipa negra (e um campo de papoulas sangrentas-- saiotas!)
As pupilas dilatando até o olho inteiro estar como o ébano, absorvendo toda a luz do mundo.
Foi assim que Kafka viveu, e foi por isso que cedo morreu.
por lili
terça-feira, 2 de setembro de 2008
Aquele pouco de nada
O pano listrado
que envolve meu pescoço,
não está ali para me aquecer
Apesar de fazê-lo.
Porque não puxa logo,
Pela ponta,
E acaba de uma vez essa volta?
Volta logo.
A regressão é dolorosa,
porém,
Aos poucos e levemente,
Involuntariamente [!]
Meu pé em ponta,
sobe minha perna,
Então aquele simples giro,
visando a volta,
torna-se eterna pirueta.
Bravo.
por anouk
que envolve meu pescoço,
não está ali para me aquecer
Apesar de fazê-lo.
Porque não puxa logo,
Pela ponta,
E acaba de uma vez essa volta?
Volta logo.
A regressão é dolorosa,
porém,
Aos poucos e levemente,
Involuntariamente [!]
Meu pé em ponta,
sobe minha perna,
Então aquele simples giro,
visando a volta,
torna-se eterna pirueta.
Bravo.
por anouk
Índios
Até o amor Alheio
me é sufocante.
Cores,
Flores,
Corações,
Poemas,
Sorrisos.
essas cores, essas
cores são como facas!
No meu
Livro de
Amor
Terá
Sangue
E moedas brilhantes, e
pés esquerdos e torturas macias.
...é o Amor que me foi apresentado!
por lili
me é sufocante.
Cores,
Flores,
Corações,
Poemas,
Sorrisos.
essas cores, essas
cores são como facas!
No meu
Livro de
Amor
Terá
Sangue
E moedas brilhantes, e
pés esquerdos e torturas macias.
...é o Amor que me foi apresentado!
por lili
sábado, 30 de agosto de 2008
Um passeio pela praia carioca.
Os pelos do Norte
não parecem atuar sobre mim.
Me falta calor.
Ou falta o frio,
para a vontade de me aquecer.
A imagem treme entre os carros,
a praia ao lado já não me atrai.
Tantos macacos lutando
por um pedaço de terra...
Ou tantas formigas, todas juntas,
trabalhando para o cancêr de pele.
Individualistas de merda.
Prefiro a pele branca,
da minha amiga Lili.
O cheiro de maresia, porém,
é quase orgásmico!
como aqueles dedos de salada
(oh, que dedos...)
Entretanto, tal aroma se dissipa
entre o suar de altinhas.
E caminhando ao lado de Iemanjá
Levo uma bolada na cara
E o candomblé perde todo o seu charme.
Sinto falta de Ilhéus:
Vesúvio de canela
E nosso caro Jorge, amado.
Transbordando por cada janela!
Iemanjá, Janaina, ou simples Maria,
Lívia sozinha.
Ensinamentos profundos
Que rolam na bola da altinha
E se perdem
No peitoral suado, de isac-garanhão.
por anouk
não parecem atuar sobre mim.
Me falta calor.
Ou falta o frio,
para a vontade de me aquecer.
A imagem treme entre os carros,
a praia ao lado já não me atrai.
Tantos macacos lutando
por um pedaço de terra...
Ou tantas formigas, todas juntas,
trabalhando para o cancêr de pele.
Individualistas de merda.
Prefiro a pele branca,
da minha amiga Lili.
O cheiro de maresia, porém,
é quase orgásmico!
como aqueles dedos de salada
(oh, que dedos...)
Entretanto, tal aroma se dissipa
entre o suar de altinhas.
E caminhando ao lado de Iemanjá
Levo uma bolada na cara
E o candomblé perde todo o seu charme.
Sinto falta de Ilhéus:
Vesúvio de canela
E nosso caro Jorge, amado.
Transbordando por cada janela!
Iemanjá, Janaina, ou simples Maria,
Lívia sozinha.
Ensinamentos profundos
Que rolam na bola da altinha
E se perdem
No peitoral suado, de isac-garanhão.
por anouk
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Estocolmo
Foi passivo e lento,
Nazista!
Atormentou-me por anos
a fio, a esmo
Fizeste um porão escuro no carro
e nas viagens e cachoeiras -
O inferno foi morno;
"O frio é ilusão da matéria."
Eras um belo monumento,
Alta e Austríaca, a mão na enxada
(um Jaleco, uma Pauta)
e o sorriso Conquistador: Oportuno
Deu-me gosto pelas correntes
e chicotes de penitência gratuita
Que agora, sintomática,
aplico a mim mesma sem auxílio.
por lili
Nazista!
Atormentou-me por anos
a fio, a esmo
Fizeste um porão escuro no carro
e nas viagens e cachoeiras -
O inferno foi morno;
"O frio é ilusão da matéria."
Eras um belo monumento,
Alta e Austríaca, a mão na enxada
(um Jaleco, uma Pauta)
e o sorriso Conquistador: Oportuno
Deu-me gosto pelas correntes
e chicotes de penitência gratuita
Que agora, sintomática,
aplico a mim mesma sem auxílio.
por lili
Fancha
Campo de papoulas inundado
pelo mar cinza de todas as cores.
Suas ondas violentas, tempestuosas
Azul escuro arrasador.
Bocado de flores, redemoinho:
Explosões desconexas!
Porções de vida no branco tecido
com furinhos metálicos; Covinhas!
São meras raízes
da árvore ruiva
de madeira rosa-escuro.
por lili
pelo mar cinza de todas as cores.
Suas ondas violentas, tempestuosas
Azul escuro arrasador.
Bocado de flores, redemoinho:
Explosões desconexas!
Porções de vida no branco tecido
com furinhos metálicos; Covinhas!
São meras raízes
da árvore ruiva
de madeira rosa-escuro.
por lili
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
Repulsa
Vem como mãos nas paredes,
pelas sombras, desajeitadas e
asquerosas, puxando o braço
Tic-tac Tic-tac Tic-tac
Cabelo amontoando na pia
Corta, morre, molha-
Me encara! Como um
assado de coelho apodrecido.
Há um ronronar no meu pé--
E a angústia, como uma mão
puxando-me agora pelas canelas,
me faz cair com a cara no chão.
por lili
pelas sombras, desajeitadas e
asquerosas, puxando o braço
Tic-tac Tic-tac Tic-tac
Cabelo amontoando na pia
Corta, morre, molha-
Me encara! Como um
assado de coelho apodrecido.
Há um ronronar no meu pé--
E a angústia, como uma mão
puxando-me agora pelas canelas,
me faz cair com a cara no chão.
por lili
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
"Os dias se passam como marinheiros..e os anos chegam como portos"
Essa queimadura
no tornozelo
não é memorável,
crê-se
(Sopra um assobio
pela tampa
de uma caneta)
A ferida é
atiçada pelo
toque;
Descascada-
Como as paredes
da velha
casa.
Venta um grito
do bule de café
ali,
no fogão
Mas não alerta
sobre a brasa
voando na pele.
por lili
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
as mariposas ficam confusas
o click da câmera, o
click da boca, o click
da fogueira, o click do
abajour sendo aceso
"Pour la France!",
ela grita
dentro do seu corte chanel
preto com franjas pesadas
Valentina está sempre
nua
por trás das câmeras,
tirando os cílios falsos.
por lili
click da boca, o click
da fogueira, o click do
abajour sendo aceso
"Pour la France!",
ela grita
dentro do seu corte chanel
preto com franjas pesadas
Valentina está sempre
nua
por trás das câmeras,
tirando os cílios falsos.
por lili
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Urna
(eu) Choro cinzas
Pó até minha boca.
Descomandado
Me olho:
Nem morte,
nem vida
Nem mesmo cinza.
Incolor
Um pote de tinta
Meu olho seco
Vazio, e só.
por anouk
Pó até minha boca.
Descomandado
Me olho:
Nem morte,
nem vida
Nem mesmo cinza.
Incolor
Um pote de tinta
Meu olho seco
Vazio, e só.
por anouk
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
"E no momento pequena senti alguma morte"
a fumaça alivia a água dos pulmões,
mais uma vez se afogando.
ainda é dia, ainda é dia, e só um;
um atrás do outro.
apreensão, vá embora:
não é querida por aqui.
as veias pulsam enquanto
esse sangue aflito corre
E me mata, digamos,
de desgosto, nem tristeza
mas nervoso.
por lili
domingo, 3 de agosto de 2008
...
minhas maos tremem no mouse.
me mostre alguma beleza.
o que eu vejo pela tela simplesmente não é. Não conhece o verbo ser.
Aos poucos começo a desconhecer.
As pessoas esperam que eu tenha conhecimento,
e ele se vai conforme as vivências
Porque querem que eu conheça?
o conhecimento se passa até que me prendam em um caixão
a beleza que sobrevive vai além disso tudo
Eu só quero poder enxergar isso.
" A nossa fraca mente esconde-nos o infinito"
por anouk
me mostre alguma beleza.
o que eu vejo pela tela simplesmente não é. Não conhece o verbo ser.
Aos poucos começo a desconhecer.
As pessoas esperam que eu tenha conhecimento,
e ele se vai conforme as vivências
Porque querem que eu conheça?
o conhecimento se passa até que me prendam em um caixão
a beleza que sobrevive vai além disso tudo
Eu só quero poder enxergar isso.
" A nossa fraca mente esconde-nos o infinito"
por anouk
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
mais do que todas as baleias do mundo multiplicadas por infinitas baleias
parece que quase todo esse amor vive preso, protegido dentro
de um grande caixote de vidro.
que por mais q me esforce; grite, chore, pule, beije,
perca todo o meu folego, recupere, perca,ciclicamente,
nunca conseguirei soltar todo esse amor. o caixote chega a rachar.
preciso de ar, mais uma vez. o pouco que se espalha ja extasia. mas eh o nada do muito.
o tal amor eh em parte encaixotado por um simples motivo: ele eh maior e mais forte
que qualquer ideia, ser ou coisa; seria impossivel suporta-lo.
mas no fim das contas, o caixote faz dele algo inesgotavel.imortal.
por manu.
de um grande caixote de vidro.
que por mais q me esforce; grite, chore, pule, beije,
perca todo o meu folego, recupere, perca,ciclicamente,
nunca conseguirei soltar todo esse amor. o caixote chega a rachar.
preciso de ar, mais uma vez. o pouco que se espalha ja extasia. mas eh o nada do muito.
o tal amor eh em parte encaixotado por um simples motivo: ele eh maior e mais forte
que qualquer ideia, ser ou coisa; seria impossivel suporta-lo.
mas no fim das contas, o caixote faz dele algo inesgotavel.imortal.
por manu.
segunda-feira, 28 de julho de 2008
orbitando a siciliano
Estou em uma livraria esperando o tempo passar.
Tentando absorver a arte estampada em páginas de livros fechados. Não ouso abri-los
Não faço idéia do motivo disso.
Me deparo com títulos, um me chama a atenção:
" O mundo é o que você come "
Será que ando comendo pouco, ou será que como a coisa errada?
Meu mundo é um nada se comparado ao conjunto de todos os mundos. Ou meu mundo será demais? Tanto que não influência nenhum outro.
Meu mundo gira em torno de livros fechados.
Preciso de um estímulo para abri-los. A curiosidade, talvez.
Tarde demais; O tempo esperado passou e já é hora de mudar de roupa.
por anouk
Tentando absorver a arte estampada em páginas de livros fechados. Não ouso abri-los
Não faço idéia do motivo disso.
Me deparo com títulos, um me chama a atenção:
" O mundo é o que você come "
Será que ando comendo pouco, ou será que como a coisa errada?
Meu mundo é um nada se comparado ao conjunto de todos os mundos. Ou meu mundo será demais? Tanto que não influência nenhum outro.
Meu mundo gira em torno de livros fechados.
Preciso de um estímulo para abri-los. A curiosidade, talvez.
Tarde demais; O tempo esperado passou e já é hora de mudar de roupa.
por anouk
domingo, 27 de julho de 2008
quatro da tarde em uma casa vazia

Uma mesa na varanda,
duas taças na metade:
uva e sangue
Os biscoitos já queimados
O glacê não escondeu
a realidade
Mas as compras matinais
(o punhado de keep coolers)
compensaram e alegraram
a tarde quase vazia
***
4 da tarde,

São 4 da tarde
vida alheia
e Keep Cooler
nunca estive mais cool
vida alheia
me persegue,
um vício!
Que cool,
Vazio.
Uma gata
pelo por toda a parte
e biscoitos queimados
ganham fungos
após o forno
param no tempo: diminuindo.
por lili e anouk
quarta-feira, 23 de julho de 2008
O Processo
O que houve esta noite
e na passada?
Estou cheia de fadiga.
Aquela dor no estômago golpeado
mascarada de fome indevida
Que madrugada!
por lili
quarta-feira, 16 de julho de 2008
reflexoes
O poder não te corrompe, só mostra quem você é de verdade. Parece que no fundo todos os seres humanos são iguais, mas nem todos tem a chance de se revelar. Isso só acontece porque alguns revelam, criando uma camada de falsa bondade naqueles que sofrem. Se tivessem a capacidade de usufruir dessa bondade - o poder - a camada logo se dissolveria.
Cada vez mais penso que nós não merecemos viver, nã só pela Terra cada vez mais sobrecarregada, mas por nós mesmos, que simplesmente nos torturamos.
Uma vez que sou humana, estou perdida.
Eu quero expandir amor. Eu quero o amor em todos os sentidos. Eu quero deixar rastros de amor para que outros possam amar tambem. Eu quero amar cada minuto da minha vida e contagiar as pessoas com esse amor, e assim eliminar o ódio. Antes que chegue a minha vez de me revelar e tudo se perca diante meu egoísmo. Porque é isso que acontece, e a gente simplesmente se acostuma.
por anouk
Cada vez mais penso que nós não merecemos viver, nã só pela Terra cada vez mais sobrecarregada, mas por nós mesmos, que simplesmente nos torturamos.
Uma vez que sou humana, estou perdida.
Eu quero expandir amor. Eu quero o amor em todos os sentidos. Eu quero deixar rastros de amor para que outros possam amar tambem. Eu quero amar cada minuto da minha vida e contagiar as pessoas com esse amor, e assim eliminar o ódio. Antes que chegue a minha vez de me revelar e tudo se perca diante meu egoísmo. Porque é isso que acontece, e a gente simplesmente se acostuma.
por anouk
quinta-feira, 10 de julho de 2008
Prognatismo Mandibular
Ossos, por que
Não me amam?
Nunca os feri;
Mantive-os longe
Do vinagre e
Com tal força
Me traíram,
Assim como o
Fizeram com os
Reais Habsburgos.
Ó, matriz
Por que foste
Pra frente
Tão desmedida?
Não sabes o
Quanto me dói?
O espelho mais parece uma lâmina.
por lili
quarta-feira, 9 de julho de 2008
Aula de física numa terça feira de meses atrás - Ilusões
O ambiente
é demasiado tenso
Mas não mente.
Eu que tenho falta de senso
Tamanha pressão
não pode fazer bem
Louca como um peão
Vou fugir, pegar um trem
Na estação
espero ansiosa
As malas na mão
A alma fogosa
Salto em Nova Iorque,
Do meu lado, uma puta:
Nem sei mais o que é torque,
mas parto pra luta!
Cinco anos depois,
sou bem mais feliz
Ignorância, ora pois
é o remédio, mas quem diz?
A lição que fica
No final das contas
é que sendo rica
Você segura as pontas.
por lili
segunda-feira, 7 de julho de 2008
"O primeiro esboço de qualquer coisa é sempre merda.", disse Hemingway
No fundo verde
umas peles um
veludo soturno e
vermelho como aquela
lula vampira
do inferno
Dois olhos
brilhantes no
asfalto quente
queimando e
fazendo bolhas
como na espuma
do mar eu sou uma
espuma no mar, tão
branca e insignificante e
quebradiça, quebrando
umas pedras por pura
teimosia e falta do
que fazer.
umas peles um
veludo soturno e
vermelho como aquela
lula vampira
do inferno
Dois olhos
brilhantes no
asfalto quente
queimando e
fazendo bolhas
como na espuma
do mar eu sou uma
espuma no mar, tão
branca e insignificante e
quebradiça, quebrando
umas pedras por pura
teimosia e falta do
que fazer.
por lili
quinta-feira, 19 de junho de 2008
Um caso médico
"Quem pagará o enterro e as flores se eu me morrer de amores?"
Quando menos esperava, vinha aquele soluço. Atravessava a garganta a um só movimento, e aí era um hic-hic que não acabava mais. Bem verdade que as crises de soluço não eram novidade alguma para Alberto, mas daí a tornar-se escravo delas era algo que não podia aceitar.
Quando pequeno eram tão raras quanto as complicações que lhe apareciam. Qual não foi sua vergonha ao beijar pela primeira vez Mariazinha; estava lá ele, em meio aos amigos e a toda a maturidade que a situação lhe exigia, quando... hic! hic, hic... Foi correr para casa e no quarto trancar-se o resto do dia, embora algo lhe dissesse que jamais poderia esquecer o que se passou.
Como encararia os amigos?
Mas caso pior foi a vez em que viu os pais brigando, coitado; em plena mesa de jantar, o lugar sagrado da casa, na hora sagrada... Num minuto perguntavam sobre o dia na escola, e ele contava suas notas e o que aprendera, mas mal havia levantado e já estavam a discutir aos berros! Que ao menos o fizessem longe dali, onde os gritos não pudessem ecoar pelas paredes e apertar o seu coraçãozinho de menino. Mas não fizeram. O pequenino não resistiu à mágoa, que lhe fugia em ininterruptos soluços, e juntos atravessaram toda a noite. Até um médico foi chamado para cuidá-lo, mas pouco pôde fazer; era inexplicável o caso dele.
Foi tentando evitar possíveis vergonhas que o jovem se privou de tudo que lhe cercava: privou-se de emoções, de amores, privou-se de lágrimas. E, pobrezinho, ficava no quarto, a luz quase sempre apagada, a assobiar e cantarolar das tristezas as mais melodiosas.
Mas se não podia esconder-se para sempre, como sobreviver? E o desejo de aventura e de vida que pulsava no peito, latente?, e a vontade de amar... Que contradição o afligia! Tão mocinho, o que não deve ter sofrido...
Eita, mundo perverso! Não fossem tão cruéis as pessoas e o garoto talvez não penasse tanto em se expor; se não o julgassem tanto, talvez... Era aceitar ou fugir. E embora soubesse que nenhuma fuga, de fato, liquidaria o problema, foi a saída menos dolorosa. Se engana quem pensa que um homem pode passar a vida a fugir. Não pode!
Mas só foi perceber isso certa noite, quando recebeu um sinal. Ou pelo menos era o que acreditava. – Mas o quê que é isso?!!– Quando já tarde, na solidão do quarto, viu subir sua perna um percevejo, tão pequenininho que dava pena o esforço que fazia. E pra que? O que ele ganharia? Saberia que lá no topo nada havia que o agradasse, a não ser, talvez, a vista? Poderia até morrer se caísse!... – Não tem medo não, amiguinho?, mas ele não respondeu... Diria o quão difícil foi enfrentar seu medo. Mas se não o enfrentasse, o que seria dele; a que lhe serviriam suas firmes patinhas, sua durinha carapaça, suas fagueiras antenas? Percebeu que a eterna fuga não mais o satisfazia. Se não para enfrentar o medo, e tudo aquilo que o limita, para que serviriam esses longos braços e essas fortes pernas? Se o angustiante ciclo das desesperanças se mostrava infinito, só cabia a ele rompê-lo. E estava decidido.
Naquele sábado de manhã, abriu a porta da frente, ainda cedinho. Com os olhos bem arregalados viu toda a luz e todo um universo de possibilidades que o esperavam. E depois, viu o medo; os malditos soluços. Mas desta vez não sentiu aquela alucinante vontade de agarrá-lo pelo pescoço e para longe arremessá-lo. Desta vez pegou em sua mão; sabia que ele estaria sempre próximo. Então, saíram os dois caminhando.
Quando menos esperava, vinha aquele soluço. Atravessava a garganta a um só movimento, e aí era um hic-hic que não acabava mais. Bem verdade que as crises de soluço não eram novidade alguma para Alberto, mas daí a tornar-se escravo delas era algo que não podia aceitar.
Quando pequeno eram tão raras quanto as complicações que lhe apareciam. Qual não foi sua vergonha ao beijar pela primeira vez Mariazinha; estava lá ele, em meio aos amigos e a toda a maturidade que a situação lhe exigia, quando... hic! hic, hic... Foi correr para casa e no quarto trancar-se o resto do dia, embora algo lhe dissesse que jamais poderia esquecer o que se passou.
Como encararia os amigos?
Mas caso pior foi a vez em que viu os pais brigando, coitado; em plena mesa de jantar, o lugar sagrado da casa, na hora sagrada... Num minuto perguntavam sobre o dia na escola, e ele contava suas notas e o que aprendera, mas mal havia levantado e já estavam a discutir aos berros! Que ao menos o fizessem longe dali, onde os gritos não pudessem ecoar pelas paredes e apertar o seu coraçãozinho de menino. Mas não fizeram. O pequenino não resistiu à mágoa, que lhe fugia em ininterruptos soluços, e juntos atravessaram toda a noite. Até um médico foi chamado para cuidá-lo, mas pouco pôde fazer; era inexplicável o caso dele.
Foi tentando evitar possíveis vergonhas que o jovem se privou de tudo que lhe cercava: privou-se de emoções, de amores, privou-se de lágrimas. E, pobrezinho, ficava no quarto, a luz quase sempre apagada, a assobiar e cantarolar das tristezas as mais melodiosas.
Mas se não podia esconder-se para sempre, como sobreviver? E o desejo de aventura e de vida que pulsava no peito, latente?, e a vontade de amar... Que contradição o afligia! Tão mocinho, o que não deve ter sofrido...
Eita, mundo perverso! Não fossem tão cruéis as pessoas e o garoto talvez não penasse tanto em se expor; se não o julgassem tanto, talvez... Era aceitar ou fugir. E embora soubesse que nenhuma fuga, de fato, liquidaria o problema, foi a saída menos dolorosa. Se engana quem pensa que um homem pode passar a vida a fugir. Não pode!
Mas só foi perceber isso certa noite, quando recebeu um sinal. Ou pelo menos era o que acreditava. – Mas o quê que é isso?!!– Quando já tarde, na solidão do quarto, viu subir sua perna um percevejo, tão pequenininho que dava pena o esforço que fazia. E pra que? O que ele ganharia? Saberia que lá no topo nada havia que o agradasse, a não ser, talvez, a vista? Poderia até morrer se caísse!... – Não tem medo não, amiguinho?, mas ele não respondeu... Diria o quão difícil foi enfrentar seu medo. Mas se não o enfrentasse, o que seria dele; a que lhe serviriam suas firmes patinhas, sua durinha carapaça, suas fagueiras antenas? Percebeu que a eterna fuga não mais o satisfazia. Se não para enfrentar o medo, e tudo aquilo que o limita, para que serviriam esses longos braços e essas fortes pernas? Se o angustiante ciclo das desesperanças se mostrava infinito, só cabia a ele rompê-lo. E estava decidido.
Naquele sábado de manhã, abriu a porta da frente, ainda cedinho. Com os olhos bem arregalados viu toda a luz e todo um universo de possibilidades que o esperavam. E depois, viu o medo; os malditos soluços. Mas desta vez não sentiu aquela alucinante vontade de agarrá-lo pelo pescoço e para longe arremessá-lo. Desta vez pegou em sua mão; sabia que ele estaria sempre próximo. Então, saíram os dois caminhando.
por san
Porque andas calado, meu filho,
Quem o puseste aí?
Fizestes algo terrível, menino,
Porque não estás a sorrir?
E esses versos no chão
Porque não os publicou ainda?
Que esboços de vida são esses, menino,
Diga, meu filho, não minta?
– Foi escolha minha, meu pai.
Disseram-me que não presto,
Que não sou comum o bastante,
Comum como todo o resto.
– E essa minha jaula, pai meu,
Forjei-a com o próprio medo,
E a vida ainda restante
Guardei-a com os livros na estante.
Quem o puseste aí?
Fizestes algo terrível, menino,
Porque não estás a sorrir?
E esses versos no chão
Porque não os publicou ainda?
Que esboços de vida são esses, menino,
Diga, meu filho, não minta?
– Foi escolha minha, meu pai.
Disseram-me que não presto,
Que não sou comum o bastante,
Comum como todo o resto.
– E essa minha jaula, pai meu,
Forjei-a com o próprio medo,
E a vida ainda restante
Guardei-a com os livros na estante.
por san
"Mas acho que o grande DiMaggio se orgulharia hoje de mim"
Sonhava que nadava no universo. As estrelas pareciam luzes natalinas, em volta da fogueira aconchegante do Sol. O vácuo do éter entorpecia seu corpo e seus sentimentos enquanto flutuava livre, sem a massa da Terra mantendo-a presa ao chão. Chão. Voltou a sentir a cama lhe sustentando. Eram 7.43 de sábado - a insônia crônica fazia com que ela acordasse um bocado mais cedo do que gostaria - e o sol invadia seu quarto pelas brechas da cortina, contrastando com a brisa fria que trazia consigo. Se movendo o mínimo possível, alcançou seu laptop na mesa de cabeceira, ao lado do controle remoto - apanhou-o também. Entre espreguiçadas, ligou a televisão e desligou o celular; Não queria ouvir ninguém hoje. Infomercial, desenho, comercial, videoclipe, filme, filme, documentário, filme. Aquele acabara de começar, fato que, independente do que viria a seguir, tinha o poder de prendê-la até até o final.
10.16. A tv era ignorada enquanto jogava o que parecia ser a milésima oitava partida de mahjongg . Fechou o computador em sinal de desistência. Rolou debaixo do edredon e observou por alguns momentos seu amplo quarto, predominantemente branco, com estantes repletas de livros, revistas e discos roubados de seu falecido pai. Caminhou arrastando os pés até as imensas janelas , que iam de poucos centímetros abaixo do teto até o chão; faziam-na se sentir pairando sobre a paisagem. Afastou as escuras cortinas com cuidado e se permitiu absorver o sol ainda matinal.
12.32. Agarrada ao lençol na posição fetal, soluçava entre gemidos de dor; seus olhos ardiam. Lágrimas tardias caminhavam do meio do pescoço até a gola da camiseta. Ainda não havia comido nada naquele ensolarado dia de inverno. Sentia sangue imaginário sendo estancado por uma faca imaginária alojada em sua barriga ferindo o estômago, onde a morte é lenta. Balbuciava seus pensamentos e voltava aos prantos. O intervalo entre as crises era de uns poucos minutos - até acabarem, pouco mais de uma hora.
13.58. Bebericava água velha de um copo que estava em cima da cabeceira da cama desde a noite anterior. Seu rosto não tinha expressão alguma - se não fosse pelo movimento manual que fazia ao mudar de canal, seria fácil deduzir que estava catatônica.
14.24. Apoiada na janela, acendia com dificuldade seu Parliament com um zippo prateado e mais estreito que o normal, que herdara de um velho namorado. Inspirava a fumaça profundamente, deixando-a invadir seu pulmão em seu estado mais dilatado; Sentia a pressão baixando aos poucos e o frio se tornando mais agradável. A fumaça era sua amiga - fazia com que ela se sentisse acompanhada e consolada. Observava o mundo em sua paisagem emoldurada por anéis de fumaça nicotinada, que garantiria um ar noir à sua visão caso já fosse noite. Sentia seu corpo leve e vazio; o cigarro escorregou por entre seus dedos e encontrou repouso no centro do cinzeiro. Sentada no chão, encostada no vidro protetor da parte inferior da janela, perdeu o ar e chorou.
16.37. Adormecida no chão, envolvida pelo edredon (que fora arrancado da cama com desleixo), as pontas do dedo quase tocando o pôr-do-sol gélido. Sonhava que voava dentro da piscina de Gellért.
por lili
"É doce morrer no mar"
por anouk

Quero aprender a amar como Vinícius. Não importa se 9 amantes ou um só a vida inteira. Quero aprender a eternidade de momentos singelos, amar um gesto. Uma unha que for. Quero banhar o mundo com esse amor, e assim fazer sorrir almas congeladas. Porque é isso que importa, e é para isso que estamos aqui.
Ela falava com o ar, a mercê de uma janela –no fim sempre nos resta a moldura de janelas- Se ao menos houvesse alguém para amar... Era noite de lua: Postes acessos em vão nas calçadas já iluminadas, convidando-a para uma volta. Tinha compromissos cedo no dia seguinte, não podia se dar esse luxo. O amor bombeava seus pensamentos, prestes a explodir pelo nada. Era preciso compartilhar tal sentimento misterioso porque sabia que aquela noite era para isso. Sim, a noite era para isso; Esperar seu Guma em cais baiano, seu Romeu em sacada branca.
Chega de sonhar. Foi arrumar as coisas para a manhã que se sucederia -cada vez mais perto -Agenda, carteira, onde estavam as chaves? Procurou na bagunça da estante, ao lado da televisão. Lá estavam elas, jogadas em cima do Box da Audrey Hepburn. Apenas um filme em seu lugar, os outros dois perdidos pelo flat. Segurou aquela caixinha de papelão, presente de alguém já longe. Sentou na cama. “A princesa e o plebeu”. Um romance em Roma. Esticou o pescoço como se espiasse a janela: Aquele Botafogo sufocante.
Valeria a pena assistir aquele filme de novo? Estava cansada do papel de telespectadora. Deitou-se. Amanhã estaria mais uma vez naquele escritório de paredes finas. Contabilidades inúteis. As mesmas pessoas esnobes de hoje, carregadas das mesmas piadinhas sem graça. Olhando o teto reparou a poeira acumulada nas abas do ventilador. Ventilador de duas abas, idéia simples, estaria aquele design rico? Passos barulhentos do andar de cima. O bebê nunca visto chorando mais uma vez. Porque ele estava sempre chorando? Ela passou a imaginar seu rosto. Bochechas rosadas, aquele cheirinho gostoso. Sua vontade era subir as escadas e pegá-lo para si. E assim amá-lo acima de tudo. Amar tanto, e de amor transbordar.
Deixa de besteira.
Abriu as portas do armário por algum impulso desconhecido. Pegou aquele vestido, há muito não usado. Vermelho de bolinhas brancas: Alguém a amara dentro do tecido rodado. Vestiu-o, pintou o rosto e calçou seus mais belos saltos.
O mar longe se medido em passos, a sacada; Uma janela pequena e alta de mais. Resolveu então sair de casa: A busca por uma taça de vinho francês, e quem sabe por uma Tiffany, para brilhar diante da vitrine.
Por que ela sabia que essa noite era para isso.
Ela falava com o ar, a mercê de uma janela –no fim sempre nos resta a moldura de janelas- Se ao menos houvesse alguém para amar... Era noite de lua: Postes acessos em vão nas calçadas já iluminadas, convidando-a para uma volta. Tinha compromissos cedo no dia seguinte, não podia se dar esse luxo. O amor bombeava seus pensamentos, prestes a explodir pelo nada. Era preciso compartilhar tal sentimento misterioso porque sabia que aquela noite era para isso. Sim, a noite era para isso; Esperar seu Guma em cais baiano, seu Romeu em sacada branca.
Chega de sonhar. Foi arrumar as coisas para a manhã que se sucederia -cada vez mais perto -Agenda, carteira, onde estavam as chaves? Procurou na bagunça da estante, ao lado da televisão. Lá estavam elas, jogadas em cima do Box da Audrey Hepburn. Apenas um filme em seu lugar, os outros dois perdidos pelo flat. Segurou aquela caixinha de papelão, presente de alguém já longe. Sentou na cama. “A princesa e o plebeu”. Um romance em Roma. Esticou o pescoço como se espiasse a janela: Aquele Botafogo sufocante.
Valeria a pena assistir aquele filme de novo? Estava cansada do papel de telespectadora. Deitou-se. Amanhã estaria mais uma vez naquele escritório de paredes finas. Contabilidades inúteis. As mesmas pessoas esnobes de hoje, carregadas das mesmas piadinhas sem graça. Olhando o teto reparou a poeira acumulada nas abas do ventilador. Ventilador de duas abas, idéia simples, estaria aquele design rico? Passos barulhentos do andar de cima. O bebê nunca visto chorando mais uma vez. Porque ele estava sempre chorando? Ela passou a imaginar seu rosto. Bochechas rosadas, aquele cheirinho gostoso. Sua vontade era subir as escadas e pegá-lo para si. E assim amá-lo acima de tudo. Amar tanto, e de amor transbordar.
Deixa de besteira.
Abriu as portas do armário por algum impulso desconhecido. Pegou aquele vestido, há muito não usado. Vermelho de bolinhas brancas: Alguém a amara dentro do tecido rodado. Vestiu-o, pintou o rosto e calçou seus mais belos saltos.
O mar longe se medido em passos, a sacada; Uma janela pequena e alta de mais. Resolveu então sair de casa: A busca por uma taça de vinho francês, e quem sabe por uma Tiffany, para brilhar diante da vitrine.
Por que ela sabia que essa noite era para isso.
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